O Codigo Da Vinci - críticas
por Isabel.Coutinho@publico.pt
"O Código Da Vinci", do norte-americano Dan Brown, é um "best-seller" mundial. Muitos o comparam ao fenómeno Harry Potter. Em todos os países em que tem sido publicado transforma-se num sucesso, entra nos tops de vendas e não pára de vender. Esta semana foi publicado em Portugal, pela editora Bertrand. Tal como aconteceu noutros lugares, a promoção começou antes. Nas livrarias Bertrand estavam colocados calendários com uma contagem decrescente até ao dia em que o livro chegaria às livrarias na quinta-feira (faltam 3 dias, faltam 2, falta 1...) Os jornalistas ligados à área dos livros receberam a obra um mês antes de ela ser publicada (isto é algo que não costuma acontecer, muitas vezes os livros são colocados primeiro à venda nas livrarias e só depois é que são enviados para as redacções dos jornais. Não acontece só com uma editora, é um mal que ataca várias). Por isso me é possível estar a escrever esta crónica no dia em que o livro foi posto à venda, tendo-o já lido.
O dossier de imprensa que os jornalistas receberam era completíssimo, até incluía um DVD com uma gravação do programa "Jesus, Mary and Da Vinci", um ABC News Special dedicado ao livro e aos temas que ele aborda.
O que vos posso dizer sobre o livro é que dividiu leitores. Há quem o ame e quem o deteste. É polémico pelas teses que defende. A mim deu-me bastante prazer ler. Faço parte daqueles a quem a interrupção da sua leitura era penosa, embora o fim me tenha desiludido. É na minha opinião um livro que cumpre as funções a que se destinou (entre as quais ser um livro de leitura rápida): entreter, fazer com que os leitores decifrem enigmas e ultrapassem etapas (como num jogo de vídeo ou numa caça ao tesouro), colocar algumas dúvidas e ensinar algo de novo. No final da leitura quis saber mais sobre as teses defendidas e sobre as personagens que ali aparecem.
É aqui que entra outra das dimensões do "marketing" de lançamento deste livro: as páginas dedicadas ao "Da Vinci Code" na Internet.
1) O escritor Dan Brown tem uma página oficial com entrevistas (agora já não fala com a imprensa porque lhe fazem sempre as mesmas perguntas), com informações sobre a sua obra anterior (o simbologista Robert Langdon já havia aparecido num livro anterior de Brown, o "Angels and Demons").
A ideia para o "Código Da Vinci" surgiu ao autor quando ele estudava História de Arte na Universidade de Sevilha, em Espanha. Mais tarde, quando foi fazer investigação para o "Angels & Demons" nos Arquivos Secretos do Vaticano, voltou a encontrar referências ao enigma de Da Vinci (não vamos aqui explicar de que se trata, porque a leitura do livro perderia piada). São pormenores deste género que podemos ficar a conhecer no seu "site".
2) Depois há outro pormenor curioso. No início do seu livro Dan Brown agradece a várias pessoas, cientistas, investigadores, professores e também a um tal Francis McInerney, que agora está no 11º lugar dos Top Reviewers da Amazon.com, mas que já esteve nos 10 primeiros (foi Top Ten Reviewer). Para quem não sabe, na Amazon.com existe um top de "os melhores críticos" eleitos entre os vários leitores que enviam as suas opiniões para a livraria virtual. McInerney elogiou um dos livros anteriores de Dan Brown, para este estabelece um paralelo com as bonecas russas. Quando fez a crítica do "Angels...", deu-lhe cinco estrelas e mais tarde recebeu uma nota de agradecimento de Brown e um exemplar assinado. Nunca se chegaram a conhecer, mas Dan Brown já disse que "he's a maniacal reader" e mandou-lhe as provas do "Da Vinci Code". Dias depois McInerney enviou-lhe este "e-mail": "É o seu melhor livro até agora." E fez algumas correcções factuais.
3) Também terá ajudado ao sucesso o jogo "The Web-Quest Challenge", as fotografias, os factos bizarros, as críticas da Opus Dei, os "sites" dedicados a explicar o que é realidade e o que é ficção.
Seja como for, a realidade é esta: "The Da Vinci Code" foi publicado nos EUA em final de Março de 2003, aguentou-se um ano em primeiro lugar, agora está em segundo e vai haver um filme.
Site Oficial:
http://www.danbrown.com/novels/davinci_code/reviews.html
http://www.danbrown.com/media/articles/newyorker.htm
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3 comentários
O livro O Evangelho Segundo Maria, cujo autor é
Armando Avena, foi lançado antes do Código da Vinci e já conta a história de Jesus de modo muito mais crível.
Lisia em 20 de fevereiro de 2005 às 23h21
O «CÓDIGO DA VINCI»
- Desde que se publicou na primavera de 2003, a novela «O Código Da Vinci», de Dan Brown, vendeu 40 milhões de exemplares: pode-se considerar o «best-seller da década».
- O filme baseado nessa novela será apresentada no festival de Cannes em 17 de maio próximo, e estreará simultaneamente nos cinemas de todo o mundo na sexta-feira 19 de maio.
- Segundo «Newsweek», esta superprodução de Hollywood, dirigida por Ron Howard e com atores de primeiro escalão (Tom Hanks, Jean Reno, Audrey Tautou, Alfred Molina, Ian McKellen, etc.) será o grande evento de 2006. Estima-se que 800 milhões de pessoas irão assistir ao filme.
A trama o «Código da Vinci» é a seguinte:
- Jesus casou-se com Maria Madalena e teve vários filhos: Sua descendência é o verdadeiro Santo Graal (sangue de rei = sangue real = Santo Gral).
- Cristo confiou a Igreja a Maria Madalena, mas os apóstolos tramaram contra ela, e ela teve de escapar para a França. Desde então, o clandestino «Priorato de Sião» protege a descendência de Cristo dos ataques da Igreja Católica e transmite seus segredos em códigos ocultos. Por exemplo, na «Última Ceia», de Leonardo Da Vinci, a figura junto a Cristo não é o apóstolo João, mas Maria Madalena.
- A novela começa quando uma comissão de cardeais pressiona o prelado do Opus Dei para que um de seus membros, assassino de profissão, mate os últimos descendentes vivos de Cristo.
As idéias de fundo de «O Código da Vinci» são:
- Jesus não pensava ser Deus, nem seus discípulos o consideravam divino. A crença na divindade de Jesus foi imposta pelo imperador Constantino no Concílio de Nicéia de 325.
- Jesus e Maria Madalena representavam a dualidade masculina-feminina (como Marte e Atena, Isis e Osíris); os primeiros seguidores de Jesus adoravam «o sagrado feminino», mas logo foi eliminado, e a Igreja se fez misógina.
- A Igreja baseia-se sobre uma grande mentira: Cristo era um homem normal e comum. Para ocultar a verdade, a Igreja destruiu documentos, assassinou milhões de bruxas e hereges, manipulou as Escrituras...
A novela «O Código da Vinci» apresenta dois problemas:
- Trata-se de uma obra de ficção, na qual todos os personagens da Igreja são retratados de maneira odiosa;
- O autor afirma na apresentação do livro: «Todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e ritos secretos nesta novela são verdadeiras». Na realidade, a obra contém numerosíssimos erros: de arte, de história, de religião e de cultura.
O filme agravará a situação:
- porque essas falsidades chegarão a muitas pessoas mais (800 milhões, ou mais se concorrer aos prêmios Oscar);
- porque imagens são mais poderosas que as palavras, e deixam mais marca;
- porque os filmes chegam às massas, também aos que têm pouca formação e carecem de recursos críticos para distinguir o que é ficção e o que é realidade;
- porque será utilizado pelos inimigos da Igreja para lançar outras acusações e campanhas sobre temas que não têm a ver com o livro.
O QUE SE PODE FAZER ANTE ESTA SITUAÇÃO?
Aproveitar a oportunidade para falar de Jesus Cristo e da Igreja:
- Muitos católicos bem formados e praticantes se sentirão ofendidos: há que saber fundamentar sua reação, de forma serena e construtiva;
- muitos católicos mais terão dúvidas sobre se o que diz o livro é verdade: haverá que intensificar a catequese e tocar em alguns temas (perguntem ou não perguntem);
- muitas outras pessoas até agora indiferentes sentirão curiosidade de saber mais acerca da fé: haverá que estar preparados para satisfazer seu interesse com uma evangelização atrativa.
Também:
-Pode ser uma boa ocasião de trabalhar junto a outros crentes: com ortodoxos e protestantes, porque o livro e o filme ofendem todos os cristãos; com judeus e muçulmanos (porque é uma manifestação de intolerância contra quem tem uma visão religiosa do mundo); e com intelectuais não crentes, que se sentem ofendidos pelos numerosos erros históricos, artísticos, culturais, etc., realizados «para ganhar dinheiro».
- Pode-se aproveitar para impulsionar católicos de certa posição (intelectuais, jornalistas, empresários, etc.) a que se movam mais e vivam sua fé com mais responsabilidade.
Fernando em 22 de maio de 2006 às 18h48
bom,eu acho que o codigo da vince é uma obra inteligente para o autor pensante mas porem que causa uma grande confusao no mundo da fe catolica porque a explicaçao de que tudo pode ser uma ficçao nem todos conseguem descobrir por ate eu ja começava a duvidar coraçao e pensamento fraco da humanidade so pra quem nos tenta ainda consegue todos
alberto nhanala em 30 de setembro de 2007 às 22h53
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