No Astérix são frequentes as piscadelas de olho. Esta prática, a que Uderzo tem recorrido cada vez mais nos álbuns publicados a solo, é no entanto já antiga. Penso que a primeira vez que isso aconteceu foi n'A foice de ouro (1962), onde aparece o actor Peter Ustinov na personagem de Gracchus Finorius, Prefeito de Lutécia:

Os piratas que aparecem desde cedo na série e são sistematicamente postos a pique em todas as histórias constituem uma citação d'As Aventuras de Barba Ruiva, de Charlier e Hubinon. Apesar de nunca se fazer qualquer referência aos seus nomes é possível reconhecer o próprio Barba Ruiva, Bábá, Três-Patas e até o seu filho Éric (este o único nomeado: Erix):

Em Astérix legionário (1967) é feita a primeira aparição de Pierre Tchernia, que posteriormente será uma presença constante na pele de legionários romanos. É o que está à esquerda de Júlio César (à nossa direita, portanto):

Logo a seguir, no álbum Astérix nos Jogos Olímpicos os autores representam-se a si próprios (haveriam de o fazer mais vezes, também) de forma subtil num relevo mural com os seus nomes inscritos em grego:

Embora haja imensas piscadelas de olho no Astérix - ainda hei-de falar delas mais vezes - termino com uma que é das mais desopilantes: n'Os louros de César, quando os nossos heróis vão à loja do Tifus para se fazerem vender, encontram lá um escravo que está constantemente a imitar as poses de diversas esculturas clássicas. A cena termima com um formidável tabefe desferido por Astérix que o deixa perfeitamente KO...

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