Linguagem arquitectónica III

Publicado em arquitectura por seven em 14 jan 2005 09:07 AM | 1 comentário

O piropo

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Não há arquitectura sem projectos, não há projectos sem obras, não há obras sem operários e não há operário da construção civil que se preze que não mande um piropo quando passa uma mulher em frente ao estaleiro. Devemos, pois, considerar este modo de expressão particular do pedreiro e do trolha como um ramo da linguagem arquitectónica que merece ser analisado e estudado nas suas mais diversas manifestações.

O estudo que agora se apresenta é resultado de uma pesquisa não sistemática efectuado em estaleiros de obras por esse Portugal fora. A largueza do universo que constitui a amostra de tal pesquisa permite concluir sem receio que os exemplos a seguir apontados são efectivamente demonstrativos do sentir e pensar do operário da construção civil.

Verificou-se invariavelmente que quando um membro do sexo feminino passa a pé em frente ao local da obra todas as actividades param e todas as cabeças rodam, sendo a duração desta pausa directamente proporcional aos encantos da senhora. Durante este lapso de tempo são proferidas afirmações e comentários de fino recorte literário alusivos aos dotes físicos e potencialidades da visada, profusamente acompanhados de assobios, chiadeiras esganiçadas e ruídos onomatopaicos produzidos com os lábios e com os dentes. São quase sempre frases de charme e sedução a que a moça passante dificilmente resiste...

Eis alguns dos melhores:

- Tanta carne e eu em jejum.
- Que curvas. E eu sem travões.
- Diz-me quem é a tua ginecologista para eu lhe chupar o dedo.
- Tens uns olhos que parecem dois grelhadores, quando olho para ti até se me grelham os tomates.
- Deves ser mais apertadinha que os rebites de um submarino.
- Tens uns olhos que, que,... que te comia a cona toda!
- Se fosses um barco pirata, comia-te o tesouro que tens entre as pernas.
- Minha senhora, troco a sua filha por um piano. Assim podemos tocar os dois.
- Estás tão boa que te fazia um vestido de saliva.
- Com esse cu, estás convidada a cagar na minha casa.
- Se cair, já sei onde me agarrar.
- Isso é que são carnes, não as que a minha mãe mete no cozido à portuguesa.
- Estás tão boa que te comia com roupa e tudo, mesmo que ficasse um mês a cagar trapos.
- Com um cu tão bom deves cagar bombons.
- Comia-te toda e cosia o cu só para não te cagar.
- Só não tenho pêlos na língua porque tu não queres.
- Diz-me como te chamas para te pedir ao Menino Jesus.

Se o piropo não resultar, ou seja, se a moça não esboçar ao menos um sorriso ou, pior ainda, tecer algum comentário menos elogioso, surgem retaliações! Os ditos tornam-se, então, verdadeiramente desagradáveis, se bem que igualmente imaginativos:

- Eu vi logo, gorda como estás é porque não suas muito.
- Olha lá, com menos cu também se caga, sabias?
- Se o teu cu fosse uma torrada teria que barrar manteiga com um remo.
- Mau, mau o quê? Disse algum disparate ou chupas aqui mesmo?

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1 comentário

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Ai vai

Jimmy Osório em 21 de outubro de 2005 às 23h09







 
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