Na primeira metade do século XX a ligação da Europa aos EUA era assegurada pelas grandes companhias de navegação como a Cunard ou a White Star que competiam entre si pela travessia do Atlântico mais rápida e mais cómoda. Evoluindo dos primeiros navios a vapor do século passado surgiram verdadeiras cidades flutuantes que, para além de proporcionarem uma viagem rápida, ofereciam toda a espécie de serviços e luxos aos seus ocupantes. Viajar num transatlântico era um verdadeiro prazer!
A França, necessitando de promover a sua indústria de design e os seus artífices depressa viu aqui uma oportunidade: um grande navio feito expositor flutuante de artes decorativas onde os passageiros fossem um público “cativo” durante alguns dias seria óptimo para os interesses nacionais. Com o patrocínio do governo francês foi lançado à água em 1932 o Normandie.
A primeira viagem realizou-se em 1935 a uma velocidade média superior a 30 nós horários – um recorde se se pensar que o Normandie possuía o dobro da tonelagem do seu predecessor, o Ile de France, (cerca de 80 000 toneladas) e um comprimento superior a 300 metros, transportando quase 2000 passageiros e uma equipagem de 1345 pessoas...
Mas o navio, além de moderníssimo, era um autêntico catálogo decorativo Art Déco e foram poucos os designers e artífices franceses que não deram o seu contributo: Jean Dupas, Jules Leleu, Jean Puiforcat, Edgar Brandt foram alguns dos principais intervenientes.






Quando rebentou a Segunda Grande Guerra o Normandie foi requisitado pelo governo do EUA para transporte de tropas, em 1941. Durante a sua adaptação às novas funções na doca seca, porém, um operário provocou acidentalmente um incêndio. No combate às chamas foi-lhe deitada tanta água para cima que o navio adornou e acabou por se afundar. Foi o fim do mais belo e luxuoso transatlântico de sempre. Algumas das suas obras de arte foram retiradas e salvaguardadas mas a maioria terminou os seus dias no fundo do porto de Nova Iorque...

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