Gostava de voltar a este tema. Já aqui disse que acho que a arquitectura moderna não lida bem com a cor. De um modo geral os edifícios são pensados em termos formais e posteriormente pintados. Nunca viram nas obras aquelas paredes com as experiências de tintas? É para o arquitecto ou o dono da obra escolher...
É pena que assim seja. A cor poderia ser um elemento mais influente na fase do projecto, em pé de igualdade com o jogo de volumes, a articulação de espaços ou a caracterização formal. De um modo geral os arquitectos são maus coloristas e refugiam-se frequentemente em tons neutros a que, em opção, se podem acrescentar uns salpicos garridos para alegrar os edifícios. Ou então deixam os materiais “falar” como alternativa à ausência de discurso cromático de que enfermam.
Para mim é sintomático que os artistas plásticos – pintores e escultores, mas sobretudo os primeiros – não morram de amores pelos arquitectos. É curioso, no entanto, que algumas das imagens de marca da arquitectura moderna tenham sido importadas... da pintura: o Funcionalismo baseou-se na gramática neoplasticista de Mondrian e o Brutalismo não fez mais que reflectir uma tendência emergente das artes plásticas, a título de exemplo.
Quase como se fosse um jogo, gostava de deixar aqui duas obras de artistas de méritos solidamente reconhecidos – Matisse e Vieira da Silva. Repare-se como, com meios exclusivamente pictóricos de cariz cromático, ambos “brincam” com o espaço e apenas numa superfície bidimensional. Porque não se faz isto na arquitectura?


Já conheçe a nossa newsletter semanal? Receba ao fim de semana o que melhor aqui se falou nos outros dias. Com base na popularidade dos artigos e no nosso criterio editorial, somente o melhor, ao sábado! Assine já!
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.