
O buraquinho
Este buraco, por incrível que pareça, é uma janela. Ou um janelo. Ou um postigo. Ou uma vigia... Seja o que for dava para fazer uma tese de doutoramento em Arquitectura ou Sociologia! Vejamos.
Comecemos pelo pano de fundo, uma magnífica empena de forma arrojada e recoberta - qual bolo de aniversário! - com uma deliciosa camada azulejar de grande riqueza plástica. Miam miam! Repare-se na delicada tensão entre a inclinação das duas águas do telhado. Para resolver o candente conflito o artista, num rasgo de génio, coloca um terceiro elemento a que atribui um carácter de redenção cósmica: a janela (ou janelo ou postigo ou...)
Não satisfeito com o resultado, o mestre insere neste ponto nevrálgico uma delicada trama de perfis de madeira que chamam a si todas as linhas de força do conjunto que, desesperando a paciência do vidraceiro, tornam simultaneamente impossível a abertura da... errr.. janela.
Um último pormenor, espécie de cereja em cima do bolo (recoberto de azulejos como já se disse): embora a fotografia não mostre (o fotógrafo, isto é, eu, não estava à altura) a... coisa encontra-se preenchida com vidro martelado, não vá algum curioso mal intecionado espreitar lá para dentro!
E mais não digo. Fica para a tese.
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