Soltem os arquitectos!

Publicado em arquitectura por seven em 29 mar 2005 09:21 AM | 4 comentários

torres_siza.jpg

Li no Expresso de Sábado passado (link não disponível) um artigo do arquitecto Graça Dias intitulado "Junto ao chão não dá nas vistas". O texto debruçava-se sobre o projecto de Siza Vieira para Alcântara onde se previa a construção de torres. Torres do Siza mas torres. Graça Dias afirma que o projecto se tratou de um acto cultural. De facto, se podemos considerar a Arquitectura (com A maiúsculo) cultura, então o projecto também é um acto cultural, é obvious...

São conhecidas as opiniões polémicas e provocações habituais do arquitecto Graça Dias bem como a abordagem demasiado superficial que, por vezes, faz dos temas e que esconde um certo vazio ideológico. As opiniões que veicula neste artigo são demasiado irresponsáveis (escolhi bem o termo) para quem, como ele, tem alguma voz nos media.

Não o incomodam as torres. A mim também não. Mas, afirma, "o que falta seria uma certa clareza quanto à capacidade de edificabilidade (?) dos diversos sítios das cidades, dos diversos terrenos vazios ou construídos das cidades. (...) Uma vez definido esse índice, qualquer promotor deveria ser livre de poder discutir com um arquitecto o tipo de intervenção que ficaria ali bem, (como diz?) naquele particular contexto."

A favor deste postulado adianta os seguintes argumentos, se percebi bem: não é "estatista", uma vez que não define uma cércea; mantém a especulação imoliária à distância; aguça o engenho do projectista.

Ufa! E agora digo eu: deste modo não ficarão todos os cidadãos - os utentes das cidades - à mercê dos caprichos (sublinho caprichos) dos arquitectos? Graça Dias até explica como poderá ser: "Alto ou baixo? Torre, bloco, quarteirão, banda ou edifício lâmina?" (este último não sei o que é mas é preciso ter cuidado...) Isto a mim parece-me construção selvagem só que desta vez os especuladores são... os arquitectos!

E a imagem da cidade não é para aqui chamada? E o Planeamento? O que nos diz a experiência e a História (History will teach us nothing!...) é que o "liberalismo urbano" conduz ao caos e à indiferenciação: tantos a querer fazer diferente resulta num conjunto indiferente. Pelo contrário, onde existem fortes restrições como, por exemplo, em zonas históricas (que palavrão!) o conjunto possui características únicas.

Dizia o governador Gracchus Garovirus a propósito dos médicos em Astérix entre os Helvécios: "eu conheço bem os médicos da guarnição... em conjunto causam mais mortes que uma legião armada até aos dentes!" Pois bem, com os arquitectos é a mesma coisa. Deus nos livre dos arquitectos à solta!!!

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4 comentários

um pequeno concelho: leia menos banda desenhada e mais textos de arquitectura se quer dizer alguma coisa sobre o tema...

e uma pequena pergunta: sera que nova iorque sempre teve a imagem urbana que hoje conhecemos?...mmm.nao me parece.

nao insulte a nossa inteligencia dizendo que estamos a mercê dos caprichos dos arquitectos...ao que chama caprichos corresponde a uma ideia e a um acto artístico que o senhor não tem a capacidade de entender. e nem sequer conhece o background que o sustenta.

basta olhar para a imagem da maketa para perceber que existe uma relação clara com a ponte 25 de abril...uma relação de escala. mas voce sabe la o que isso é.

é por causa de pseudo pensadores de horizontes curtos como voce que este pais nao vai a lado nenhum...

aR em 10 de maio de 2007 às 22h38

Meu caro e cobardolas anónimo:

Aqui tanto se lê banda desenhada como textos de arquitectura. É pena que você não leia nem uma coisa nem outra senão saberia que esse "concelho" que você pretende dar sem lhe ter sido pedido nada se escreve com "s". Também não me parece que saiba como se escreve maqueta que é um anglicismo para o qual a nossa língua possui o termo "modelo".

Também não sabemos o que é o background - talvez um nariz grande dito com pronúncia do Porto... Ah! E seria pedir-lhe muito que para a próxima pusesse acentos - e não assentos - nos palavras? Isto se houver próxima, porque infelizmente de comentários e "concelhos" imbecis como o seu estamos nós fartos...

seven em 10 de maio de 2007 às 22h54

Oh por fabor não se sinta ofenddo cm o meu mal falar…nõa era esa a minha cincera intençãm…

Pronto. Eu vou fazer a vontade a V. Ex.ª e escrever este pequeno comentário com toda a pompa e circunstância que um blog como este merece, e com a devida burucracia…(ohh desculpe…eu pormeto…caramba prometo que é a ultima…última vez que insulto o nosso Português), burocracia (assim é que é) linguística para que não se sinta ofendido, até porque burocrata é o V. Ex.ª deve ser para, numa suposta conversa sobre arquitectura, não conseguir ir além de termos pseudo cultos sobre formas de escrita: background - talvez um nariz grande dito com pronúncia do Porto (faça-me o favor e não diga dessas barbaridades e deixe de ser mesquinho com esses regionalismos, porque só prova que os seus horizontes são mesmo muito curtos).

Se quiser continuar a falar sobre arquitectura terei todo o prazer prolongar esta conversa. Se não continue no seu quartinho a escrever…que certamente não passará disso.

Ah…outra coisa. Não quero saber desses anglicismos para nada. Maqueta é um termo corrente na disciplina onde me insiro. Mas fiquei estupefacto pela sua cultura…Anglicismo…Sim senhor. Muito bem.

Continue com as suas gramáticas de bolso. Mas faça-me, ou melhor faça-nos, um favor: deixa a arquitectura para aqueles que a vivem e que a amam.

Sinceros cumprimentos

aR em 14 de maio de 2007 às 17h16

Vejo que reincide na visita, no anonimato covarde e no comentário estéril e ofensivo.

Afinal não sei porque cá veio outra vez se acha que somos tão maus! Deixar o quê para quem? A arquitectura é para todos. Eu vivo nela e como seu utente tenho o direito de falar sobre ela, para mais num país em que o exercício da cidadania é tão parco. Os arquitectos queixam-se da falta de cultura arquitectónica mas detestam que o "público" fale das suas obras. Rejeitam as suas opiniões e escudam-se em chavões autistas como esses que você esgrime!

Além disso estou na minha casa (leia-se no "obvious") e nela digo o que me apetecer. Aqui não há censura senão comentários como os seus seriam pura e simplesmente rejeitados - mas não. Se não gosta não coma. Agora não se ponha a insultar a torto e a direito.

Se tem alguma coisa a criticar - e as críticas são bem vindas no "obvious" - ou quer discutir arquitectura então comece por se ater às ideias expressas no texto e rebata-as uma por uma. Mas pelos visto não o entendeu senão não tinha escrito o comentário prepotente e vazio que fez. Não consegue articular uma ideia que seja no seu limitado discurso e depois eu é que sou curto de vistas...

Não se canse a visitar-nos outra vez e muito menos a comentar se persistir nesse seu tom. Não vale a pena.

Anonimo em 14 de maio de 2007 às 22h54

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
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