Estive tentado a escrever uma entrada no blog sobre a morte de João Paulo II mas, por uma série de motivos que não vou expor, decidi não o fazer. Confesso que, as coisas que mais me irritam no ser humano são 1) a falta de humildade, 2) arrogância intrínseca por tudo julgarem saber. Também acho uma certa piada aos outros humanos que qualificam como "simplesmente brilhante" meia dúzia de palavras bem encaixadas e com alguma sonoridade, fruto talvez de uma patologia ou alucinação passageira.
Por outro lado, felizmente, há pessoas que colocam as coisas de uma forma bem mais racional e menos arrogante. Apesar das fronteiras do conteúdo se tocarem em muitos aspectos, a forma como é exposto faz toda a diferença. Respeito, mas lamento a forma como o Paulo Querido escreve sobre o tema.
"... as discrepâncias entre a doutrina católica e o quotidiano real de seus crentes é cada vez maior. A meu ver, é justificativa mais do que razoável para que seja convocado um novo concílio, seguindo o exemplo do "bom papa" João XXIII, que já nos anos 60 havia detectado a necessidade que a Igreja Católica possui de acompanhar as mudanças temporais e os novos desafios trazidos pelos avanços científicos.
Mesmo um papa historicamente considerado conservador, como Paulo VI, havia atentado para a necessidade de se oxigenar a Igreja e descentralizar o poder concentrado excessivamente pela Cúria Romana, através da criação do Sínodo, assembléia que reunia bispos de todo o mundo. Não considero salutar permitir que a Igreja Católica torne-se impermeável ao contexto do século XXI e aja como se ainda vivêssemos nos tempos de São Pedro, e discordo de quem afirma que se o catolicismo mudar este sucumbirá - é esse atual status quo, em que perguntas que necessitam de respostas urgentes são retrucadas com reticências, que fará com que a Igreja Católica acabe por sucumbir.
O substancial avanço do protestantismo no Brasil, um dos maiores países católicos, é apenas uma das provas de desgaste de uma Igreja na qual seus fiéis sofrem o dilema de serem hipócritas à própria fé porque não vivem de acordo com a doutrina absolutista e autoritária professada atualmente por teólogos como Ratzinger (desgraçadamente um dos principais candidatos a se tornar o novo Papa).
Ainda que de modo estático e paulatino, a Igreja necessita de mudanças - fato tão inequívoco que gerou a criação de um site internacional mantido por bispos e fiéis, solicitando a realização de um Concílio Vaticano III."
(in Alexandre Inagaki)
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