Visitar uma feira é viver uma profunda experiência de Sociologia e Antropologia. Está lá tudo, ao alcance de um olhar atento e desmistificador, o que compõe o nosso país real. Se calhar por isso é que alguns políticos, munidos de boné e sorriso estudado, visitam estes locais em épocas de campanha e recebem daí o seu epíteto "das feiras". O fotógrafo (este vosso criado), de máquina digital em punho, visitou também um desses locais e partilha convosco alguns fragmentos do quotidiano:

Que tal este para começar? Daria um excelente banner em qualquer web site e nem falta lá a iluminação dirigida. O preço é convidativo.

As t-shirts, como sempre, plenas de originalidade e malícia também não podiam cá faltar e é sempre possível personalizá-las ao nosso gosto. Quem não gostaria de ostentar no peito frases desfocadas como "demasiado sexo nubla la vista"? Um mimo...

Um "stander" promocional de máquinas industriais para pedra não poderia receber nome mais adequado do que "COMAPEDRA"! E o pormenor do vaso lateral com um pequeno cipreste e ainda o vestido de noiva em primeiro plano dão um toque enternecedor ao conjunto.



Feira que se preze deve apresentar sempre um parque de diversões (ou diverções? já nem sei...) à maneira. Podemos dar sempre uma volta no afamado Carrocel Portuense, dirigirmo-nos à caisse do espectacular Viking Show (on parle français, english spoken, que isto é uma feira internacional!) ou ainda libertar litros e litros de adrenalina na fabulosa Fisga (repare-se nas duas queridas bandeirinhas lá em cima)!!!
Crise? Alguém falou em crise? Nada disso! A feira tem estado pejada de gente que dá um voltinha em todos os carrocéis e consome quantidades prodigiosamente grandes de cachorros quentes e algodão doce. O fantasma da crise aparece figurado nestas deliciosas metáforas - não pode ser outra coisa! - do comboio fantasma:

A crise já não assusta ninguém - só os ricos. Eles que paguem a crise! É vê-los: no outro dia fui levar o meu carro ao mecânico por causa de um problemazito no rádio. Enquanto esperava chegou um senhor num Volvo, muito bem vestido (o senhor e não o Volvo...), com um fato de corte impecável, óculos e penteado a condizer. Chamou o mecânico à parte e sussurou-lhe: "Ó Sr. Tavares, eu passo-lhe já o cheque mas pode depositá-lo só depois do dia 20?"
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