


O Liceu de Beja, obra modernista do arquitecto Cristino da Silva, levantou na altura da sua edificação algumas questões polémicas que ainda hoje se mantêm actuais. Tratava-se então (1937) de afirmar a arquitectura moderna perante o tradicionalismo e para isso era necessário impor as novas técnicas, as novas metodologias e, sobretudo, a nova linguagem – a face visível do modernismo.
O novo edifício tinha isso tudo: tecnologia, funcionalidade, volumes puros, grandes envidraçados, terraços... mas revelou-se um fracasso, um elefante branco na paisagem, desadequado ao clima agreste do Alentejo. Pelas suas grandes janelas entrava o calor e uma luz insuportável no Verão e no Inverno por lá entrava também o frio que os espaços amplos tornavam difícil expulsar.
A arquitectura moderna em Portugal tinha dado literalmente um tiro no pé e cometido o suicídio em grande estilo pois foi em grande parte graças a este facto que inflectiu em direcção ao tristemente afamado português suave. Diziam os tradicionalistas que o estilo moderno, funcional e depurado, não dizia nada às pessoas e que era preciso vesti-lo com formas com significado, que iam desde o rústico ao joanino.
E, no entanto, o Liceu de Beja era e é um belo edifício ao qual não se negam qualidades arquitectónicas. A seleccção de um arquétipo modernista prevaleceu sobre os factores contextuais, processo tão ao gosto do estilo internacional. O mesmo sucede com muita da arquitectura que actualmente se produz no nosso país. São modelos abstractos excessivamente formalistas e que, além disso, não dizem nada às pessoas - uma arquitectura desenraizada. É uma pena que não se aprendam as lições da História...
Já conheçe a nossa newsletter semanal? Receba ao fim de semana o que melhor aqui se falou nos outros dias. Com base na popularidade dos artigos e no nosso criterio editorial, somente o melhor, ao sábado! Assine já!
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.