
Ontem peguei ao acaso numa revista de arquitectura que estava no expositor de uma biblioteca e fiquei surpreendido com a quantidade enorme de edifícios semelhantes, sobretudo moradias, pese embora de autores diferentes. Ao meu lado estava um arquitecto meu amigo. Pedi-lhe que comentasse. “Mais do mesmo”. E acrescentou. “Começo a ficar um bocado farto deste tipo de arquitectura”.
O tipo de arquitectura em questão, diga-se, caracterizava-se pelo seu aspecto cúbico, grandes envidraçados, ausência de telhados e de elementos decorativos, aplicações em madeira – uma imagem “modernista”, no fundo. A verdade é que aquela imagem é a que está a dar, a que está na moda mas a arquitectura não devia ser permeável a modas. Não se pode pegar numa imagem de outra época e colá-la acriticamente ao tempo presente, como penso ser o caso.
Porquê o Modernismo, mais precisamente o Funcionalismo? A resposta, julgo eu, é: porque é uma fórmula fácil de aplicar. Esta corrente que tanto lutou contra o academismo e o classicismo acabou por se tornar igual a eles: regras de composição, aplicação a qualquer local, linguagem formal estereotipada e repetitiva, autonomia entre forma e conteúdo – está lá tudo!
Hoje em dia a facilidade de aplicação desta receita mantém-se. A composição é elementar, não há grandes detalhes e a sua representação é simples. Mas, em contrapartida, outras (muitas) coisas ficam de fora: a semântica, a dimensão social, até o ambiente às vezes. É pena. Além disso, para além do meu amigo, já muita gente começa também a ficar farta deste tipo de arquitectura...
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