Um dos problemas inerentes à arquitectura é que a tríade vitruviana que pretende defini-la - firmitas, utilitas, venustas (estabilidade, utilidade, beleza) é incompleta, pois falta-lhe a componente simbólica. Esta lacuna não é meramente teórica e tem sido frequentemente descurada sobretudo nos tempos que correm. A arquitectura contemporânea - pelo menos aquela que baseia a sua imagem numa linguagem decalcada do Funcionalismo - apresenta um défice semiótico.
Este foi um problema herdado do século XIX. Ao acabar com uma linguagem tradicional enraizada na cultura ocidental durante séculos o Modernismo ofereceu uma imagem estereotipada e universal mas pouco ou nada expressiva:

Perante a nova arquitectura o comum cidadão sentiu-se perdido ao ver-se sem elementos de referência. Em culturas mais atrasadas como a nossa isso é quase um factor de insegurança, o que talvez explique a preferência pelas casas tradicionais possuidoras de elementos simbólicos conhecidos: os telhados, os balaústres, as janelas com moldura, os azulejos, etc.

Seja como for, esta questão não parece preocupar os arquitectos que desenham edifícios compostos por volumes puros e planos abstractos. Na verdade desenham para si próprios mas ironicamente os seus desenhos acabam por ser todos iguais - nem uma marca distintiva ou simbólica quer do autor, quer da situação. Depois queixam-se de serem incompreendidos e é de facto isso que são... É preciso acabar com o défice!
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