100 anos de sonho

Publicado em bd / hq por seven em 15 out 2005 | 2 comentários

Faz hoje precisamente 100 anos sobre a criação de Little Nemo in Slumberland, cuja primeira prancha foi publicada no suplemento da edição dominical do New York Herald. Esta original realização de Winsor McCay apresentava já uma série de características que se tornaram constantes na BD: a estrutura narrativa, a composição, o grafismo, a cor, a fantasia...

No entanto as histórias eram todas basicamente iguais. Começavam com o pequeno Nemo a ir para a cama na primeira vinheta. A partir daqui desencadeavam-se mil e uma aventuras mirabolantes como só acontecem nos sonhos de uma criança. Tudo terminava invariavelmente com o despertar e, às vezes, a queda da cama. Era, no fundo, apenas o ponto de partida para a grande aventura da Banda Desenhada ao longo do século XX. É justo considerar Little Nemo o princípio desse sonho.

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2 comentários

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Little Nemo é uma curiosidade histórica. é um marco, os desenhos são barrocos, quase rocócós e trama não existe. Respeito a série e o seu significado mas não consigo ler aquilo. Tu consegues?
Numb

tapornumporco em 1 de novembro de 2005

Cara, Little Nemo é demais! É realmente lamentável que ainda não possamos lê-lo em Português. Tenho uma incrível curiosidade pelo ''pequeno ninguém''.
Sobre o comentário anterior, um pensamento: basta somente nós encararmos a ''bobagem'' que há nisso tudo que chamam de 9ª arte (principalmente a vertente com mais popularidade: a de super-heróis), e aí tudo no universo dos quadrinhos parecerá tão bobo quanto. Caras que se vestem com cuecas de fora da calça e que enfrentam vilões tão idiotas que sempre dão pistas de como serem derrotados me parece algo muito ''bobinho'', por exemplo. Mas não vem ao caso. O que quero argumentar na minha colocação é que Nemo e outras histórias ''bobinhas'' - como as dos garotos-de-cuecas-de-fora - tem e sempre tiveram algo mais a dizer. História em quadrinhos, ilustração... arte como um todo é muito mais simbolismo do que discurso direto (Deus salve Alan Moore!), penso eu; e, ao lermos, é bom que se perceba. É como um ''jornal social'', que versa sobre personalidade, reflexões, ética, antagonismos... e que, de certa forma, registra momentos hístóricos e analisa e estuda a figura humana, e o mundo (por que não?!). Em Little Nemo podemos achar diversos ''códigos'' como esses, incluindo um ótimo texto que fala sobre os sonhos e o universo onírico em geral, tema tão vasto que ainda abordado pela religião, pela ciência (Psicanálise e Psiquiatria, por exemplo) e cultura; tudo isso de maneira sutil e numa linguagem fácil, ora infantil, ora adulta. Veja: não estou sendo crítico e averso ao seu gosto, mas, para terminar este comentário tão longo, eu diria o mesmo que Antoine de Saint-Exupéry escreveu no seu Pequeno Príncipe: às vezes, "o essencial é invisível aos olhos". Boa leitura, se acaso vier a reconsiderar.
E eu ainda quero Little Nemo em Português! (Risos).

silas* em 31 de agosto de 2009

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