É bem certo que os arquitectos não são escultores, tirando algumas honrosas (ou horrorosas) excepções. Mas às vezes na arquitectura deparamo-nos com elementos que parecem provir das correntes mais abstrúncias da vanguarda escultórica contemporânea e nos fazem parar para os admirar, embevecidos. Os elementos a que me refiro são bastante prosaicos e habitualmente desdenhados na fase do projecto: chaminés, números de porta, caixas de correio, antenas, caleiras, tubos de queda, etc. Estes parentes menores da arquitectura não raras vezes assumem grande peso visual nos edifícios, lembrando que deveriam ser objecto de maior atenção por parte do projectista, seja ele arquitecto ou não.
O que acontece frequentemente é que se deixa estes elementos exclusivamente ao cuidado de quem os vai instalar na obra, geralmente técnicos com pouca preparação e sensibilidade estética discutível. Recentemente tenho andado de nariz no ar a deleitar-me com a criatividade que transparece nos tubos de queda. Quando é assim aproveito e faço fotografias (a máquina digital anda sempre no carro comigo para o que der e vier). Cheguei à conclusão de que é um problema trazer a água dos telhados até ao chão por outro método que não seja deixá-la cair dos beirais (os romanos resolveram-no bem!); as soluções encontradas pelos mestres da pichelaria demonstram-no bem...



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