Histórias de quadradinhos

Publicado em bd / hq por seven em 12 jan 2006 09:04 AM | 4 comentários

060112_herois_bd.jpg
Li isto aqui e gostei...

Um conhecido de um amigo meu telefonou-me há dias. Sabia que eu tinha a colecção inteira, em estado óptimo, do Tintin português, e estava disposto a pagar-me uma quantia muito simpática por ela. "A minha colecção tem muitos buracos e vários exemplares que parece que andaram debaixo das rodas de um camião", explicou. "E como o Tintin fez parte da minha formação, estou pronto a fazer-lhe uma boa oferta."

Fê-la, e recusei-a com amabilidade, porque o Tintin português - e, intermitentemente, o Tintin belga e o Pilote - também fizeram parte da minha formação, e nem morto me desfaço daquela colecção. Nem dos exemplares desirmanados do Tintin belga, nem dos sucessivos anos encadernados do Pilote, nem de um só álbum da minha algo considerável colecção de banda desenhada (BD) franco-belga clássica. (Sublinhar clássica).

Na "guerra" BD franco-belga/comics americanos, pertenço ao primeiro partido desde que me conheço. Que foi, tradicionalmente, o mais forte em Portugal, pelo menos até meados dos anos 70, quando começaram as importações em massa de comics directamente dos EUA e uma nova geração impôs o consumo em grande quantidade das revistas de super-heróis.

A verdade é que muitas das pessoas mais cultas, mais inteligentes, com maior variedade de interesses e mais solidamente formadas e educadas que conheço são consumidoras da grande BD franco-belga desde a mais tenra idade.

Mais do que só um entretenimento, uma leitura de mera distracção, uma mania que "passava com a idade", a BD franco--belga da "idade do ouro" foi parte fundamental da formação estética, intelectual e moral de muita e boa gente, e serviu de porta de entrada para toda uma variedade de outros interesses e gostos, das artes plásticas à História, passando pela engenharia. Lembro-me de um colega de liceu que foi para Clássicas por causa do Alix, outro que seguiu Ciências por causa da paixão pelas aventuras de Blake e Mortimer, outro ainda que a leitura voraz, entusiástica, de Buck Danny levou a uma carreira na Força Aérea.

Vender a minha colecção inteira, em estado óptimo, do Tintin português? Nem dez professores Miloch me conseguiam obrigar.

Faça parte da nossa comunidade. Receba o obvious da melhor forma.
* EMAIL semanal com o melhor da semana ou EMAIL diário.
* Assine o nosso feed de RSS ou twitter.

artigos relacionados

4 comentários

O dia em que o carteiro me trazia o envelope maravilhoso onde vinha o meu “Tintin” via Bertrand, era um dia de festa e de ansiedade.

Outro período de ansiedade, era a saída das capas para encadernar os fascículos, com a respectiva ida à Bertrand entregar tudo e aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, aguardar, até que por fim vinha a boa nova e com ela o orgulho de tarefa cumprida.

Depois era ler novamente, agora com a maior das histórias completas.

Os meus “Tintins” têm circulado internamente pelas minhas gerações. De mim para o meu sobrinho, do meu sobrinho para os meus filhos, dos meus filhos não sei para onde irão, mas o recado está dado – Não saírem do clã

E o Pilote. Tão à frente para a altura e realidade nacional, tão ousado que no início só me atrevia a ler às escondidas.


Papo-seco em 12 de janeiro de 2006 às 11h35

Boa lembrança, «seven». Nunca foi tão clara para mim essa bipolaridade bd franco-belga/comics americano embora ela exista. Mas ao mesmo tempo que sempre adrei Tintim, Blacke e Mortimer, Bernard Prince e os outros do Hermann (Comanche, Jeremiah, as torres de Bois maury), Astérix, etc, etc, também sempre me conheci fã de Super Man de Curt Swan ou de bill finger, de batman de bob kane, de Aquaman ou green lantern, de Mandrake ou de rip kirby. Até porque estes últimos, na altura eram mais heróis do povo: podia-se comprá-los no formato mundo de aventuras ou Ebal que custavam 1 vintém. Já a tradição franco-belga era cara e agora ainda mais com a mania dos álbuns cartonados. Eu adoro o hermann, por exemplo, mas porra, aquil são 20 euros cada álbum... o espírito americano de revista de quiosque tem as suas vantagens.
Numb

Tapornumporco em 13 de janeiro de 2006 às 18h13

É verdade que a Bd franco-belga se tornou pouco acessível e sem razão. Os rapazes do outro lado do oceano conseguiam mesmo assim ser mais baratos. Tinham - e têm - bons artistas, sobretudo desenhadores no preto e branco, mas o facto de ser vendida em quiosques a preços módicos fez com que fosse depreciada.
Cá por mim tive a sorte de sempre ter dinheiro para os albunzitos. Quando o meu pai olha para a colecção que foi em grande parte paga por ele diz invariavelmente: "onde está o meu dinheiro!" :)
Já passou os 400 títulos...

seven em 13 de janeiro de 2006 às 22h38

Oi sou a Mariana tenho10 anos e acho este site uma porcaria do pior nao presta desculpem o dizer mas na minha opiniao acho que deviam meter historias de fadas e princesas mudar o nome de varias coisas seria muito melhor se metessem um site á maneira bem é tudo o que tenho a dizer tchau

Mariana em 26 de outubro de 2007 às 22h11

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
(obrigatório, não será mostrado no site)


Inagaki PHP Scripts site statistics