Nunca te cases...

Publicado em artes e letras por seven em 14 jan 2006 09:08 AM | 2 comentários

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Nós podemos viver alegremente,
sem que venham, com fórmulas legais,
unir as nossas mãos, eternamente,
as mãos sacerdotais.

Eu posso ver os ombros teus desnudos,
palpá-los, contemplar-lhes a brancura,
e até beijar os teus olhos tão ramudos,
cor de azeitona escura.

Eu posso, se quiser, cheio de manha,
sondar, quando vestida, p'ra dar fé,
a tua camisinha de bretanha
ornada de crochet.

Posso sentir-te em fogo, escandecida,
de faces cor-de-rosa e vermelhão,
junto a mim, com langor, entredormida,
nas noites de Verão.

Eu posso, com valor que nada teme,
contigo preparar lautos festins,
e ajudar-te a fazer o leite-creme
e os mélicos pudins.

Eu posso dar-te tudo, tudo,
dar-te a vida, o calor, dar-te conhaque,
hinos de amor, vestidos de veludo,
e botas de duraque.

Eu até posso com ar de rei, que o sou!
dar-te cautelas brancas, minha rola,
da grande lotaria que passou,
da boa, da espanhola.

Já vês, pois, que podemos viver juntos,
nos mesmos aposentos confortáveis,
comer dos mesmos bolos e presuntos,
e rir dos miseráveis.

Nós podemos, nós dois, por nossa sina,
quando o Sol é mais rúbido e escarlate,
beber na mesma chávena da china
o nosso chocolate.

E podemos até, noites amadas!
dormir juntos dum modo galhofeiro,
com as nossas cabeças repousadas,
no mesmo travesseiro.

Posso ser teu amigo até à morte,
sumamente amigo! Mas por lei,
ligar a minha sorte à tua sorte
eu nunca poderei!

Eu posso amar-te como o Dante amou,
seguir-te sempre como a luz ao raio,
mas ir, contigo, à Igreja, isso não vou,
lá nessa é que eu não caio!

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2 comentários

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APAIXONEI!

Sandra Leite em 14 de janeiro de 2006 às 21h50

"Posso ser teu amigo até à morte,(...)"

Podes e deves! Antes e depois, a amizade deve ser um elo permanente.

Anonimo em 15 de janeiro de 2006 às 15h23

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