Os concertos da minha vida - Miles Davis

Publicado em musica por seven em 26 abr 2006 09:07 AM | 4 comentários

 Jazz Musica Miles Davis

16 de Março de 1991, 22 horas, Coliseu do Porto. A sala estava cheia. Eu tinha comprado um lugar na plateia, mesmo junto ao palco - foi o bilhete mais caro que alguma vez comprei mas tinha que o ver de perto. Miles Davis nessa altura já quase não conseguia falar e não disse uma palavra durante o concerto. Apresentava os seus músicos através de cartazes com os seus nomes. Lembro-me de Darryl Jones no baixo e de Kenny Garret no saxofone. Ocasionalmente Miles dedilhava um sintetizador mas tocava trompete como sempre tocou: com um timbre liso, incomparável! Quando começou a tocar os mais velhos avisaram-no: "toca liso; quando fores velho o vibrato virá por si".

Ali, três ou quatro metros à minha frente estava o homem que fez Birth of the Cool, Sketches of Spain ou Kind of Blue; o homem que tocou com Charlie Parker, Dizzie Gillespie, Thelonius Monk, John Coltrane; que foi mentor e promotor de quase todos os grandes nomes do Jazz, muitos ainda vivos; que "inventou" o cool jazz, que fez a fusão, que tocou música pop como fizeram os primeiros jazzmen... A presença de Miles impunha respeito. Tudo o que até ali tinha ouvido dele não chegava aos calcanhares do som ao vivo que então ouvia.

A sensação ainda hoje me é difícil de descrever. O som era pura magia - swing autêntico. Tocou temas actuais e fez algumas incursões pelo passado. Virava as costas ao público para tocar. Durante a primeira meia hora do espectáculo o tempo pareceu parar. Ainda não o sabia na altura mas aquele foi o último espectáculo de Miles. Viria a falecer cerca de seis meses depois, no dia 28 de Setembro desse mesmo ano. Ficou o som da sua trompete...

"Querem ouvir-me outra vez? Rebobinem a fita", diria ele.


Rocker (Gerry Mulligan) - noneto de Miles Davis, do álbum Birth of the Cool

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4 comentários

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Espantoso, é verdade. Também lá estive nesse concerto, reconheci-o pelo bilhete, ainda guardo o meu também. E é como dizes, um miles em fase final, que apenas pontuou o concerto, mas de cada nota que dava, a música seguia por caminhos inesperados. Ainda relembro esse concerto e fui com uma pessoa que não gosta de jazz, mas que adorou o Miles. Inesquecível!

mefistófeles em 27 de abril de 2006 às 21h43

Fala sério!Só descobri jazz agora.E é uma delícia dormir ouvindo Miles Daves bem baixinho...
O Óbvios é completo.Tudo que quero ler e ouvir está aqui.Prabéns!

Anna em 2 de setembro de 2007 às 17h12

nossa suas músicas são muito bacanas e sensasíonal gostei muito meus parabéns tchau..................................................................................

tayná caroline dos santos ramos em 11 de maio de 2009 às 18h08

Um músico de eleição. Sempre no meu iPod (sim, sou um daqueles tipos que gosta de jazz).

Aproveito para sugerir (embora numa onda um pouco diferente) Ursula Rucker.

Tiago DaCunha Caetano em 2 de junho de 2009 às 19h13

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