Exame de física

Publicado em outros por seven em 29 jun 2006 09:06 AM | 5 comentários

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Muitos conhecerão esta história, antiga mas verídica, passada num exame de Física da Uiversidade de Copenhaga. Não resisti a colocá-la aqui em plena época de exames e em que tanto se tem falado e feito no âmbito do Ensino. Ela reforça a minha convicção de que a Escola - sobretudo a que temos actualmente, com raras excepções - fomenta a mediocridade (entenda-se uniformidade, mediania) à custa da anulação das diferenças. Pura insensibilidade sistémica...

Reza assim a história:

À questão Descreva como determinar a altura de um arranha-céus usando um barómetro um estudante respondeu: Amarre uma longa corda à parte mais estreita do barómetro, a seguir faça baixar o barómetro do telhado do arranha-céus até ao chão. O comprimento da corda mais o comprimento do barómetro será igual à altura do edifício. Esta resposta altamente original enfureceu o examinador ao ponto de chumbar imediatamente o estudante.

O estudante apelou, baseando-se no facto de que a sua resposta estava indubitavelmente correcta e a universidade nomeou um árbitro independente para decidir o caso. Na verdade o árbitro decidiu que a resposta estava correcta, mas que não demonstrava qualquer conhecimento de Física. Para resolver este problema foi decidido chamar o estudante e permitir-lhe que, em seis minutos, providenciasse uma resposta verbal que mostrasse, pelo menos, uma certa familiaridade com os princípios básicos de Física.

Durante cinco minutos o estudante ficou em silêncio, franzindo a testa em pensamento. O árbitro lembrou-lhe que o tempo estava a passar, ao qual o estudante respondeu que tinha diversas respostas extremamente relevantes, mas que não sabia qual delas utilizar.

Sendo avisado para se despachar, o estudante replicou da seguinte forma:
Em primeiro lugar, poderia pegar num barómetro, ir até ao telhado do arranha-céus, deixá-lo cair ao longo da parede e medir o tempo que ele demora a atingir o chão. Desta forma, a altura do edifício poderá ser trabalhada a partir da fórmula: H= 0,5g x t2. Mas isto seria má sorte para o barómetro...

Ou então, se o sol estivesse a brilhar, poderia medir a altura do barómetro, depois de assentá-lo na extremidade e medir o comprimento da sua sombra. Em seguida, iria medir o comprimento da sombra do arranha-céus e, depois de tudo isto, seria uma simples questão de aritmética proporcional para calcular a altura do arranha-céus.

Mas, se quiserem ser rigorosamente científicos acerca disto, poderão amarrar uma longa corda ao barómetro e abaná-lo como um pêndulo, primeiro ao nível do chão e depois ao nível do telhado do arranha-céus. A altura é trabalhada pela diferença na força da gravidade - T=2p... Ou, se o arranha-céus tiver uma escada exterior de emergência, será mais fácil usá-la e marcar a altura do arranha-céus em comprimentos do barómetro, e em seguida adicioná-los por aí acima. Se, simplesmente, quiser ser chato e ortodoxo na resposta, certamente, poderá usar o barómetro para medir a pressão de ar no telhado do arranha-céus e no solo, e converter os milibares em pés para dar a altura do edifício.

Mas uma vez que estamos constantemente a ser exortados a exercitar o pensamento independente e a aplicar os métodos científicos, indubitavelmente a melhor forma seria ir ter com o porteiro e perguntar, se ele gostasse de ter um barómetro bonito, que lho oferecia desde que ele me dissesse a altura do arranha-céus.

O estudante em causa era Niels Bohr...

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5 comentários

Não conhecia, não pude deixar de sorrir e sobretudo identifiquei a pinga do génio com os 99% de trabalho.

hfm em 29 de junho de 2006 às 17h07

:)

Papo-seco em 29 de junho de 2006 às 17h35

bem, fico contente por ter entendido todos os métodos. existia um sujeito ainda mais provocador (que chegou a trabalhar com Bohr no projecto Manhattan se não me engano) com o nome de Richard Feynman. merece ser abordado!

sérgio figueiredo em 30 de junho de 2006 às 03h27

Está a brincar sr. Figueiredo? :) Concerteza qie Feynman vai aparecer por aqui um dia destes...

seven em 2 de julho de 2006 às 01h35

Mais um exemplo de como a genialidade é preterida em função da capacidade de ser capacho do professor dentro da universidade.

Andarilho em 6 de abril de 2008 às 02h24

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