Loucuras...

Publicado em musica por seven em 1 ago 2006 | 2 comentários

 Musica Loucura Mutantes Rita Lee  Musica Loucura Mutantes Rita Lee

Já que ultimamente temos andado numa onda de Brasil e de idiotices, como a da crónica de ontem, pareceu-me pertinente deixar-vos aqui com algo que junta as duas coisas. É uma música que recordei a propósito e que já não ouvia há anos. Para aqueles que nos lêem, brasileiros e não só, e que a conhecem dispensa apresentações: foi um dos grandes êxitos dos Mutantes e chamava-se Balada do louco. Para os que não conhecem apenas direi que este grupo musical surgiu em 1964 foi uma das mais importantes bandas psicadélicas e experimentalistas que o Brasil e mundo conheceram. Os seus três elementos eram Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e uma tal Rita Lee...

Mais mutações aqui

Balada do Louco (Arnaldo Baptista / Rita Lee)


Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz.

Se eles são bonitos
Sou Alain Delon
Se eles são famosos
Sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz.

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu.

Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz.

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu.

Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz!

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2 comentários

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Ok...o texto de ontem de fato não é dos melhores do Jabor. Mas já que vc o citou, que tal ler essa crônica dele que a Rita lee e o Roberto de carvalho musicaram e deram origem a "Amor e Sexo".
""Amor é propriedade. Sexo é posse. Amor é a lei; sexo é invasão.

O amor é uma construção do desejo. Sexo não depende de nosso desejo;
nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor.
Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo, são como a palavra farmakon em
grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida

O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça,
deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do
pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.

O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não
há fantasias permitidas. O amor é o desejo de atingir a plenitude. Sexo
é a vontade de se satisfazer com a finitude. O amor vive da
impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O sexo pode ser,
dependendo da posição adotada. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o
contrário não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam
juntos.

O amor é mais narcisista, mesmo entrega, na 'doação'. Sexo é mais
democrático, mesmo vivendo do egoísmo. Amor é um texto. Sexo é um
esporte. Amor não exige a presença do 'outro'. O sexo, mesmo solitário,
precisa de uma 'mãozinha'. Certos amores nem precisam de parceiro;
florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não - é mais
realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta
vontade de verdade. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora. O amor vem
de nós. O sexo vem dos outros. 'O sexo é uma selva de epilépticos' (N.
Rodrigues). O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral
também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.

O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes
paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói - quando acaba a valentia,
ele vem e come. Eles dizem: 'Faça amor, não faça a guerra'. Sexo quer
guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é
egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte
está ali, nas bocas. O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas
não se explica.

O sexo sempre existiu - das cavernas do paraíso até as 'saunas relax for
men'. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do
século XII e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã.
Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é
mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo.
O amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom
funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controlá-lo é
programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. O mercado programa
nossas fantasias.

Não há 'saunas relax' para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone.
No entanto, em todo bordel, finge-se um 'amorzinho' para iniciar. O amor
virou um estímulo para o sexo.

O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca
uma certa 'grandeza'. O sexo é mais embaixo. O perigo do sexo é que você
pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há
'sexo seguro', mas não há camisinha para o amor.

O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é a lei. Sexo é
a transgressão. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados.

Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da
surpresa. O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na
tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda - ou não,
dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos
60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta".


Não precisa postar esse comentário, mas vale o crédito ao jabor para essa música. Belo blog

Sandra Leite em 1 de agosto de 2006

quem quiser ouvir algumas musicas de "os mutantes" (entre muitas outras de outros autores) pode dar um saltinho até:
http://www.davidbyrne.com/radio/index.php
começou hoje e dura todo o mês

am em 1 de agosto de 2006

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