Talvez seja preconceito mas normalmente vejo com maus olhos este tipo de projectos de arquitectura: megalómanos, abstractos, ofensivos do território. Eu explico melhor. São aqueles a quem alguns chamam, com intenções segundas, projectos estruturantes, o que geralmente acontece quando se trata de um empreendimento turístico em larguíssima escala numa qualquer zona protegida! Isto é acompanhado com a promessa da criação de um grande número de postos de trabalho e uma série prodigiosa de benesses para a região onde se irá situar o dito projecto. Ironicamente é também vulgar este tipo de projectos pouco ou nada ter a ver com a dita região - são riscos abstractos feitos num gabinete situado numa galáxia muito, muito distante...
É o que aparentemente acontece com este projecto de Gregotti, datado de 1973, para a universidade de Calabria, em Cosenza. O projecto é uma quilométrica linha recta rasgando ostensivamente o território e poderia encaixar perfeitamente nos parâmetros acima descritos. Seria um devaneio do seu autor, uma utopia megalómana e perigosa. Mas o projecto realizou-se: está há quase 30 anos e é admirável!
Não sei o que é que o torna mais fascinante: se o simples facto de ter sido concretizada uma obra de tal arrojo e dimensão se a desconcertante elegância com que se adapta ao local sob todos os pontos de vista, acabando por não ser agressivo sem abdicar da sua imagem. Talvez ambas as coisas. O mais ínfimo pormenor foi ponderado; o mais pequeno detalhe desenhado; a menor das condicionantes tida em linha de conta... Penso estarmos perante um caso em que a obra transcende a ideia. Soube evitar os perigos e dificuldades em que incorria e explorar as suas possibilidades originais e outras que entretanto surgiram. É caso raro, infelizmente...




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