Em termos de arquitectura Aveiro é conhecida por possuir um conjunto de edifícios Arte Nova invulgar no país, em quantidade e qualidade, à excepção apenas do Porto e Lisboa. Esta característica, por vezes enfatizada de um modo um pouco bairrista, limita-se quase exclusivamente às fachadas uma vez que por trás se encontram banais imóveis habitacionais. Não obstante esta ausência de correspondência entre o interior e o exterior era um facto normal na época e as fachadas eram entendidas como um meio de ostentação, facto muito comum na nossa arquitectura. A imagem da cidade era a das fachadas dos seus edifícios.
Tenho pena que a grande quantidade de ornamentação e cenografia Arte Nova, que tende a ser excessiva e rebuscada, quase ofusque outros tipo de edifícios que a cidade possui e que lhe marcam a imagem de uma forma muito mais profunda. Refiro-me aos edifícios Art Déco, ou melhor, às fachadas, uma vez que o que escondem se manteve essencialmente o mesmo. Este estilo, chamemos-lhe assim à falta de melhor designação, era muito mais sóbrio e estilizado e, quando utilizado por desenhadores (eram eles que faziam boa parte dos edifícios) com alguma habilidade e sensibilidade, resultava em elegantes imagens urbanas. A implementação do Modernismo na arquitectura da cidade - este sim já com implicações para além da fachada - ficou muito a dever a esta etapa intermédia que trouxe consigo novos padrões estéticos.
Uma última nota para lamentar que, numa altura em que se fala tanto de património sem que se saiba exactamente o que é, se permita literalmente agredir estes e outros edifícos com cartazes e reclames publicitários e todo o tipo de intervenções violentas de gosto discutível ao nível do rés-do-chão. Aparentemente património é só aquilo que é suficientemente antigo, mesmo que seja de má qualidade...
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