O Ensino lá fora

Publicado em outros por seven em 13 out 2006 09:01 AM | 2 comentários

 Ensino Professores Alunos

Já tenho ouvido muitos relatos sobre o Ensino noutros países. Já ouvi testemunhos directos de pessoas que o viveram; já li artigos em jornais e revistas; já vi documentários na televisão. Ouvi uma professora que deu aulas 20 anos no Canadá dizer que os alunos não necessitavam de comprar qualquer material porque a escola fornecia tudo e lembrei-me do escândalo que é o negócio dos manuais escolares entre nós; ouvia-a também dizer que lá as salas de aulas são grandes e têm espaços diferenciados para permitir a coexistência de actividades variadas adequadas à diversidade dos alunos e lembrei-me do nosso ensino massificador; vi um documentário sobre o Ensino na Suiça em que me impressionou a importância dada ao envolvimento dos pais no processo educativo e na vida escolar dos alunos e lembrei-me de que há pais que nem sabem o que os seus filhos andam a aprender nas nossas escolas; vi outro documentário sobre uma escola num país africano onde, por falta de meios, os alunos se sentavam no chão de terra batida e ali rabiscavam as letras e lembrei-me de nos queixarmos da falta de meios...

Estes relatos fazem-nos corar de vergonha. Assim como eu os vi e ouvi, mero cidadão, também aqueles que gerem o nosso ensino os devem ter visto e ouvido. Porque têm obrigação disso por inerência dos seus cargos conhecem de certeza por esse mundo fora bons exemplos e casos de sucesso com provas dadas. Estão à espera de quê para os implementar? Porque se põem a inventar então? Hoje submeto à vossa leitura um texto que li já há algum tempo não sei bem onde sobre o ensino na Alemanha. Não me pronuncio a favor ou contra mas gostava que servisse para tomarmos consciência que existem alternativas ao actual sistema que, todos estamos de acordo, é caduco.

Sou professor de português, na Alemanha. Conheço por dentro todo o sistema. Näo é maravilhoso, longe disso, mas os resultados estão um "pouco" acima dos das escolas portuguesas. Deixo aqui um resumo muito curto de como funciona:

Primário - 4 anos.
Secundário - os alunos saem da escola primária e são encaminhados para três níveis de escola:
1. Nível geral (9 anos) - dá acesso a escolas profissionais para profissões manuais (operários, agricultores, carpinteiros, canalizadores, etc...)
2. Nível médio (10 anos) - dá acesso a escolas profissionais de serviços, informática, electrotecnia, saúde (enfermeiros), bancários, secretariado...
3. Liceus (13 anos) - acesso às universidades.
Nota: Estes níveis näo são estanques. Ao longo do percurso, os alunos podem mudar de nível, se provarem as suas capacidades.

As escolas escolhem os alunos; só as de nível geral têm de aceitar os alunos do bairro ou da freguesia (são às vezes o "caixote do lixo", mas é preferível assumir a desigualdade a tapá-la ou a construir um sociedade de caranguejos que num balde puxam os que querem trepar).

As escolas privadas concorrem com as públicas: as escolas são pagas pelo número de alunos e recebem prémios de competência dentro de cada nível.

As escolas têm um director nomeado pelo governo.

Os professores são escolhidos pelas próprias escolas; o governo não organiza concursos.

Não há um Ministério da Educação em Berlim, no governo federal; são os Estados que têm o pelouro da Educação.

Os professores dão 28 horas lectivas por semana até aos 50 anos e 27 depois dos 50 até aos 65 anos.

O ano lectivo começou no dia 30 de Agosto de 2004 e termina no dia 22 de Julho de 2005; nestes últimos meses têm estado temperaturas de 35 graus, mas todos trabalhamos!

Observações:
Tenho alunos portugueses, filhos de operários, pedreiros e varredores de rua que frequentam o Liceu; dois frequentam o melhor liceu do Estado da Renânia-Palatinado que é privado - não pagam um centavo!

As criancas säo incentivadas a trabalhar desde a 1ª classe porque sabem que só com bons resultados podem aceder aos níveis superiores;

Este sistema, que já existe desde Bismark, foi aperfeiçoado pela Democracia Cristã de Adenauer.

Quando a esquerda chegou ao poder criou o ensino unificado, que existe a par deste sistema. Estas escolas são acarinhadas pelos Verdes e alguns do SPD. Os alunos de nível médio e alto destas escolas deixam muito a desejar face à média.

Conclusão:
Na Alemanha todos os sistemas são acolhidos, não há um sistema único (se bem que a esquerda queira acabar com os liceus e as escolas de nível médio que às vezes ão melhores que os próprios liceus). Deixa-se liberdade à sociedade civil para optar, escolher, gerir o sistema.

E A ALEMANHA NÃO É UM PAÍS LIBERAL!

Eu não gostaria que em Portugal o liberalismo fosse implementado com todas as suas doutrinas; mas era tão bom que deixasse de ser a Albânia!!!

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2 comentários

As alternativas existem já em Portugal.
O meu filho frequenta a Escola Raiz que assenta o seu método de ensino na filosofia High/Scope (http://www.highscope.org/).

No entanto, é uma abordagem olhada ainda de soslaio, por muita gente, não só por ser diferente da escola convencional, mas também porque, ao envolver os pais, dá muito mais "trabalho" do que a escola tradicional.

Para que o ensino melhore, não basta o esforço dos professores, das escolas, e do pessoal auxiliar, é preciso que as famílias assumam as suas responsabilidades, e deixem de considerar a escola como a única responsável pela educação/formação dos seus filhos.

Mª João Nogueira em 16 de outubro de 2006 às 15h11

frequentei escolas na Alemanha. Loge de ser uma maravilha está certo. Nao existe ninguem que nao se queixe. O estudo PISA mostra valores negativos e tem sido tema para todos alunos e professores nos últimos 5 anos. O sistema tem sido criticado e deve ser mudado. Isto é a opiniao de quem vive este sistema (por parte de alunos, professores e pais).

António Barros em 17 de outubro de 2006 às 09h36

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