A vida de Jesus

Estive para não escrever nada hoje; se calhar ninguém vai ler. Afinal quem é que anda a ver blogs no dia 25 de Dezembro? Mas depois mudei de ideias e resolvi manter a tradição de escrever um post por dia. Mas sobre o quê? Eis que me lembrei de um tema adequado...
Em 2002 o desenhador e caricaturista austríaco Gerhard Haderer publicou um livro chamada Das Leben des Jesus que foi publicado entre nós no ano seguinte pela Vitamina BD sob o título A vida de Jesus. Nesta obra, plena de humor, Haderer vê o Messias como um hippy agarrado ao incenso, vício que apanhou ainda no berço graças às ofertas dos Reis Magos... A partir daí toda a sua vida é uma fantástica aventura de paz e amor relatada de uma forma um pouco diferente dos Evangelhos.
O desenho de Haderer é fabuloso: elegante, expressivo, desopilante e muito atento aos pormenores. O argumento não lhe fica atrás pois consegue contar com grande coerência uma imaginativa história da vida Jesus, cheia de piscadelas de olho e referências subtis e quase subliminares. A intenção é puramente humorística, nunca ofensiva.
No entanto, o autor pagou caro este exercício de liberdade de expressão: o seu livro foi proibido na Grécia por blasfémia e foi ainda punido em tribunal com uma pena suspensa de seis meses de prisão. Mais: o mandato foi extenso - caso inédito - a todos os países da União Europeia! Haderer, que nem sequer sabia que a sua obra tinha sido publicada na Grécia, recorreu da sentença mas arrisca-se a ver a sua pena agravada caso o recurso seja indeferido. Preocupante. Mas vejamos um pouco do que contém o livro...

Três Reis Magos param ao ouvir uma criança a chorar e a berrar e, na violência da travagem, um deles perdeu os seus dentes de ouro. Como o choro da criança se torna insuportável partem de seguida, não sem deixarem incenso e mirra...

A criança engraçou com o cheiro do incenso e parou de chorar. Ao mesmo tempo uma aura brilhou sobre a sua cabeça com uma luz tanto mais intensa quanto o cheiro a incenso...

A criança Jesus fez-se menino e, graças ao brilho da sua auréola, podia dar-se ao luxo de jogar à macaca mesmo de noite. Isto tornou-o muito popular entre os miúdos da vizinhança onde rapidamente arranjou doze amigos...

Quando Jesus era já famoso, num dia em que dormiu até tarde debaixo de uma oliveira os seus amigos tiveram uma ideia. Mandaram chamar os melhores escultores e artesãos da região para que capturassem a maravilhosa pose do Senhor adormecido...

Escusado será dizer que o negócio dos seus amigos rapidamente prosperou em miniaturas de cera, madeira, prata e bronze e que ainda hoje se mantém...

Jesus é que não gostou da brincadeira, que considerou um abuso de confiança. E, acto contínuo, ascendeu aos céus para não mais voltar. Hoje repousa tranquilamente numa nuvem de incenso acompanhado de anjos que lhe entoam belas canções... (qualquer semelhança com Lennon, Hendrix, Joplin, etc. é mera coincidência)
A história é apenas isto. A cena da última ceia é particularmente hilariante mas não vos conto que é para comprarem o livro. Não há afinal nada melhor do que o riso para prenda de natal, sobretudo nesta época de tolerância, paz e amor - ou melhor - paz e humor...
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10 comentários
Eu ando a ver blogs neste dia 25 de Dezembro e achei este post mto interessante e a propósito.
O livro, que não conheço, deve ser divertidíssimo...
BOAS FESTAS!
MLeiria em 25 de dezembro de 2006 às 14h14
Ivete em 25 de dezembro de 2006 às 17h44
Eu gosto de ler o seu blogue, quer seja dia de Natal, ou o País esteja encerrado para férias.
Por isso, quando tiver oportunidade,publique sempre que tem uma seita de fervorosos adeptos (entre os quais me incluo) ávidos, que aguardam as 9 horas da manhã para o dia ter outro encanto.
Obrigado.
felicio mendes em 25 de dezembro de 2006 às 23h41
Obrigado, amigo. Volte sempre que nós faremos os possíveis por voltar também na melhor forma possível... ;)
seven em 25 de dezembro de 2006 às 23h46
Pelo pouco que avaramente mostraste, o livro deve ser uma delícia...
Que diferença entre uma brincadeira inocente e bem humorada e tão diversa da postura da Igreja Católica se recusando a dar cerimónia fúnebre àquele infeliz que sofria há anos com uma distrofia muscular grave que necessitava de um computador para ler em seus olhos seus desejos...e o principal era MORRER! Quanta falta de piedade e respeito ao ser humano...
sergio em 26 de dezembro de 2006 às 14h28
E pronto lá vou eu ter de comprar mais este.
Dina em 27 de dezembro de 2006 às 11h03
acho que poderiam falar um pouco dele, mais dos pais o ano em que nasceu etc
raquel em 30 de abril de 2007 às 11h11
lixo! nao sabe nada de Jesus
pagará caro pelo q fala... =/ é triste por q e verdade e mais triste ainda porque vc nao vai acreditar nisso...
vai estudar porque no dia que vc morrer ele vai prestar contas pelas brincadeiras...
Celox em 30 de maio de 2007 às 15h55
SALMO PARA UMA AMIGA POETA
Não são todas as estradas que vão dar no sol.
Há nuvens que nos desviam dos endereços íntimos.
Claras são as mensagens, mas não vemos o que precisamos ver...
Vemos o que queremos ver.
(O que sentimos daquilo que vemos?
O que avaliamos daquilo que pensamos sobre o que vemos?)
Temos os lírios brancos e os campos de lavanda, e o que vemos?
Os gravetos, as pegadas na terra, as sombras.
Olhamo-nos, e não nos reconhecemos.
Em que Sala de Espelhos deixamos os nosso versos mais cândidos?
A poesia pode ser uma janela - um respiradouro.
Escrevo porque não sei me matar.
Na dor, dou testemunho de meu cálice transbordando.
Olho-me, e não me reconheço em mim. Mas sinto algo-alguém acima de mim.
Quem realmente vela o meu pesadelo?
Aquele que anda nas nuvens e incendeia os oceanos.
Aquele que coloca rímel na minha tormenta ácida.
Vejo passos na linha do horizonte.
Cortam-me as esperanças, mas eu me fermento entre avencas
Arrancam-me as mãos mas eu escrevo na parede de um silêncio tácito.
Não quero ser vencido pela dor, pois meu criar arranca as sandálias das minhas abstrações e me faz voar acima de águas límpidas.
Que sal há nas lágrimas? Faço saladas de sonhos.
Que açúcar meu olhar desata? Faço cadarços para vôos além de arrebentações.
E quando o vinagre de meu corpo sai como quireras líquidas, junta formigas para irem distribuir realidades paralelas no meu Eu de mim.
A morte não existe, então porque deixar que ela vença?
Que sabedoria é o amor que tange, marca, mutila, preda e engessa hábitos torneados em dialéticas de ausências?
Tenho caravelas paradas no porto, e caravelas não foram feitas para encalhes de marés.
Há um sextante no mais alto altar de minha espiritualidade
E eu só caminho peregrinador, pois sei que água parada atrai tempestades em corpos estranhos.
Viajo-me no criar.
Alimento-me ostras de outras dimensões-travessias.
Visto-me de um cacto rosa, e no quartzo-róseo de meu íntimo, procuro flores murchas em saídas de emergências.
Descanso o pulso do meu lado Sentidor, em diálogos com amigos e irmãos secretos.
Dispo-me de amarguras e melancolias
E escrevo salmos-mantras-banzos-blues
Contemporâneos - como um cinzel na minha alma pisada
Só que eu bem sei
Que quando amanhecer um Sabat qualquer, sabendo que meu reino não é desse mundo
Darei manjar de framboesas silvestres aos anjos
E a groselheira seca de minha alma reviçará
Pois é o espírito que ama o espírito
E depois de todas as cisternas, desertos, ilhas, cimitarras, maus pensamentos e butins
Ao religar-me com o Criador, na prece pré-auroral (frente a um tentativa de abismo)
Ele me levantará de mim mesmo, de minha nudez de dezelo atribulado
E me lavará de todas as atribulações humanizadas
Porque “O Que Fez” é a minha rocha
E eu sou apenas uma migalha de sua luz, honra e busca
Para sempre
(Silas - rascunho Um - Para Ana Luisa Peluso)
SP
11.10.02
poesilas@terra.com.br
Silas Corrêa Leite
www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
silas c. leite em 8 de junho de 2007 às 02h18
vc ñ sabe o que diz..... o que fez e o que provocou........... vc é um descrente que pensa que a vida é uma brincadeira..... que Deus te perdoue por isso...........!
jailto em 19 de novembro de 2007 às 20h13
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