
Quem nunca visitou Tel Aviv ficará certamente surpreendido com o seu aspecto. Em vez de uma cidade com traços orientais, como seria lógico esperar, encontrará aí alguns dos melhores exemplos mundiais de Arquitectura Moderna: centenas de edifícios de baixa altura com coberturas planas, volumetria fortemente geometrizada, linhas horizontais e cores claras, ao melhor estilo Bauhaus...

Como se não bastasse, estes edifícios estendem-se ao longo de uma malha ortogonal de ruas largas em lotes e quarteirões normalizados, lembrando as cidades-jardim idealizadas pelos primeiros arquitectos modernistas - um autêntico oásis no deserto! Que mistério é este?
As origens da cidade remontam à otomana Jaffa. Com a desagregação do império otomano em meados do século XIX as grandes potências ocidentais estabeleceram a sua influência na região que passou a ser administrada pela Inglaterra. Vagas de imigrantes, nomeadamente judeus, acorreram então, atraídos pelas teorias sionistas e pela possibilidade de ali adquirirem terras. Este aumento súbito da população provocou a expansão da cidade para bairros periféricos como Achuzat Bait, fundado em 1909 por uma associação de imigrantes de origem judaica; em 1910 era já um rico subúrbio que viu o seu nome mudado para Tel Aviv (em hebraico "Monte da Primavera").

O plano aprovado para esta zona foi concebido pelo arquitecto Wilhelm Stiassiny e revela clara influência do urbanismo da sua terra natal - Viena. Apresentava uma estrutura ortogonal onde uma rua larga estruturante cruzando ruas secundárias ligava o conjunto à estrada de Jaffa e à linha de caminho de ferro. No centro encontrava-se um imenso jardim rodeado de edifícios comunitários.
Como esta experiência se revelou promissora, nos anos sequentes novas comunidades começaram a formar-se em torno de Tel Aviv como resultado de novas vagas de imigrantes. A pouco e pouco estas comunidades foram sendo absorvidas e, de 100 habitantes em 1910, passou-se para cerca de 3600 em 1921. Um novo plano foi então concebido por Richard Kauffmann, um arquitecto imigrado da Alemanha e formado nas ideias do urbanismo moderno.

O plano de Kauffmann incorporou os novos bairros e ligou o núcleo original ao mar, tornando-o o foco de uma nova vida urbana. Criou uma zona verde marginal com equipamentos culturais e recreativos nos cruzamentos com as ruas principais que prolongavam as avenidas arborizadas primitivas. Propôs ainda o aumento do tamanho dos lotes e a limitação do volume de construção de modo a consolidar a imagem de cidade-jardim.
Foram estas as premissas que o arquitecto escocês Patrick Geddes manteve quando, em 1925, lhe foi pedido para adaptar o plano de Kauffmann a uma cidade que então possuía já 30 000 habitantes e que se previa que, com a imigração, atingisse rapidamente os 100 000! E assim a cidade foi crescendo embora com menos espaços verdes e maior volume de construção do que o previsto devido à especulação imobiliária e à burocracia, que fez com que o plano só fosse aprovado em 1938 com esta forma:

Nos anos 30 Tel Aviv era já uma metrópole desenvolvida com numerosos edifícios modernistas de cores claras ou brancos desenhados por arquitectos formados na Europa - a maior parte na Alemanha - e que ali iam chegando como imigrantes. Em vésperas de eclodir a Segunda Grande Guerra era conhecida como a cidade branca, lugar improvável onde a arquitectura moderna encontrou condições para se expressar plenamente...

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