
A arquitectura moderna encontrou em Tel Aviv terreno fértil para florescer. Várias foram as razões para que assim acontecesse mas a mais importante talvez fosse a grande vaga de imigrantes proveniente do centro europeu literalmente empurrada pelo anti-semitismo que crescia desde os anos 20. Entre estes mais de 200 arquitectos e engenheiros que estudaram na Alemanha, França, Áustria ou Itália sob a influência das ideias de Le Corbusier, Gropius ou Mendelsohn seriam os responsáveis pela construção de quase um milhar de edifícios modernos...
O estilo moderno - Neues Bauen, como era conhecido na Alemanha naquela época - foi frequentemente conotado com os judeus e rejeitado por não corresponder à imagem do que se achava que deveria ser uma arquitectura nacional ou, pelo menos, europeia; ironicamente, em Tel Aviv parece mais europeu do que regional... Este carácter apátrida, singular e inovador deveu-se à convicção dos seus autores de construir uma nova arquitectura para uma nova sociedade que ia de encontro ao desejo preconizado pelo sionismo de fundar um novo mundo.
Outras razões mais pragmáticas estiveram também presentes: razões construtivas (o betão era fácil de produzir numa região essencialmente arenosa); razões climáticas (as elevadas temperaturas, os ventos e o baixo índice de pluviosidade eram favoráveis às coberturas planas e às varandas); a Administração inglesa era favorável a este estilo; o desejo de produzir uma arquitectura distinta da árabe ou otomana que a rodeava.
Mas a conjugação favorável de todos estes factores não chega só por si para explicar o sucesso da nova arquitecura e a sua eficaz adaptação ao local. O factor chave foi a articulação com o planeamento urbano possuidor da mesma matriz moderna - algo que nunca foi plenamente conseguido na Europa. A disposição das ruas deu literalmente origem a corredores por onde circulava o ar fresco do mar; a ordenação dos lotes fez com que os edifícios se orientassem segundo a exposição solar mais favorável; cada lote possuía um jardim fronteiro à rua com árvores a fornecer sombra.
A própria concepção dos edifícios comungava das mesmas preocupações ambientais: número de pisos (geralmente três); compartimentos com ventilação transversal; altura generosa dos andares (vulgo pé direito); largas varandas, palas e "lâminas" de betão actuando como sombreadores; pérgulas nos terraços; janelas compridas e baixas...
Actualmente - lá como cá - esta imagem inicial encontra-se desvirtuada e é possível verem-se "marquises" nas varandas, aparelhos de ar condicionado pendurados das janelas e novos edifícios de grande altura junto à faixa costeira bloqueando a brisa marítima. Mas apesar de todas estas alterações Tel Aviv continua a ser uma cidade moderna, prova viva da validade das teorias da arquitectura moderna.




Este post teve como base uma investigação realizada pelo IFA de Stuttgart e pelo Museu de Arquitectura da Universidade de Munique. As fotografias foram obtidas entre 1988 e 1990 por Irmel Kamp-Bandau e estarão todas disponíveis na Galeria.
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