
O saxofonista Johnny Hodges aprendeu a tocar sozinho; experimentou o soprano mas acabou por se fixar no saxofone alto. Juntou-se à mítica Big Band de Duke Ellington onde se tornou uma das suas principais figuras como solista da respectiva secção. Duke tinha por hábito escrever músicas especificamente para alguns dos membros da sua orquestra e Hodges foi por várias vezes contemplado pelo mestre, que sabia melhor que ninguém tirar partido das características expressivas do seu saxofonista.
Hodges permaneceu com Ellington e fez parte da sua orquestra durante cerca de 40 anos. Nunca encetou uma carreira a solo ou formou uma banda própria e tinha capacidades de sobra para tal. Como qualquer grande intérprete tinha uma sonoridade muito própria e calorosa que funcionava bem em todos os géneros, dos blues às baladas. Paradoxalmente, este homem mediano, pacato e taciturno, low profile, avesso a grandes protagonismos, conta-se entre os maiores saxofonistas de sempre - Ben Webster ou John Coltrane, seus congéneres de renome, devotaram-lhe grande admiração.

Julguem-no na interpretação de dois temas da autoria de Duke Ellington:
Mood Indigo (gravação de 1955)
Piano - Leroy Lovett
Trompete - Harold Baker
Trombone - Lawrence Brown
Sax Tenor - Arthur Clarke
Baixo - John Williams
Bateria - Louie Bellson
Come Sunday (gravação de 1952)
Piano - Leroy Lovett
Trompete - Emmett Berry
Trombone - Lawrence Brown
Sax Tenor - Ben Webster, Rudy Williams
Baixo - Barney Richmond
Bateria - Al Walker
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.