
Já por várias vezes se tem falado aqui de arquitectura moderna, da forma como ela marcou as nossas cidades e da pouca atenção que lhe tem sido dada pelo facto de ainda não ser suficientemente antiga. Foi o caso deste post sobre arquitectura Art Déco e de outro sobre umas ruínas modernistas. Ambos os exemplos se situam na cidade de Aveiro mas o mesmo ocorre pelo país fora: arquitectura anónima com boa qualidade e boa imagem que compõe a paisagem urbana, ruas ou bairros inteiros edificados de uma assentada por vezes que são ainda, feliz ou infelizmente, os locais mais agradáveis para viver dentro das nossas caóticas cidades.
Hoje apresento-vos mais alguns exemplares modernistas (ou, melhor dizendo, na interpretação que entre nós se fez do International Style) que fui encontrando ao percorrer as ruas de Aveiro. Apenas moradias urbanas, todas elas com mais de 50 anos, seguramente, todas elas de autor anónimo ou pouco conhecido. Trata-se de obras encomendadas por pessoas de posses e com uma cultura acima da média - ou teriam preferido um estilo menos erudito.
É paradoxal ou no mínimo curioso que a implantação do Modernismo se tenha feito em grande parte e em primeiro lugar graças a obras deste género - casas para ricos. Se tivermos em conta as premissas democráticas de Le Corbusier para a nova arquitectura como máquina de habitar ou a política de construção de bairros na Alemanha não deixa de ser irónico... O mesmo se passou em quase toda a Europa, de resto, com a arquitectura moderna a ter como primeira cliente uma elite algo aristocrática. A Rússia foi um mundo à parte, a merecer uma análise separada.
Seja como for estes edifícios foram um marco de uma época na paisagem urbana. Continuam a ser usados como tal - nada de escritórios ou serviços! - e o seu estado de conservação é bom na globalidade. Registei-os para a posteridade...






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