O antigo e o novo

Publicado em arquitectura por seven em 22 jan 2007 09:03 AM | 3 comentários

 Antigo Novo Arquitectura Renovacao Ruinas Scarpa Veneza

Esta questão - ou melhor, dialéctica - entre o antigo e o novo sempre atormentou os arquitectos quando chamados a intervir num edifício ou área histórica. É como se existisse um rótulo com a expressão Perigo: História. Manusear com cuidado! E, de facto, é preciso esse cuidado. De um modo geral são extremamente inseguros neste domínio e oscilam quase sempre entre a intervenção tímida/patética e a intervenção intrusiva/contrastante. Esta última tem predominado nos tempos que correm e não raras vezes é irreversível e feita de ânimo leve, apoiada em argumentos tão pobres como "distinguir o velho do novo". O público, normalmente conservador em relação ao património e pouco habituado a lidar com novidades "radicais", fustiga o autor do mamaracho (o termo é invariável) sem dó nem piedade...

No entanto não existem apenas as duas atitudes opostas que acima referi. Há inúmeros gradientes numa intervenção sobre uma peça patrimonial arquitectónica. Em países como a Itália onde, ao contrário de Portugal, a percentagem de renovação de edifícios antigos é superior à da construção de raiz, encontramos esses cambiantes. Este modo de actuar é grandemente responsável pela qualidade arquitectónica das cidades. Um dos protagonistas dessa actuação foi o arquitecto Carlo Scarpa.

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Na sua intervenção no edifício do Instituto Universitário de Arquitectura de Veneza Scarpa demonstra claramente como a sua abordagem ao património é delicada e não se situa em nenhum dos extremos apontados. Durante os trabalhos foi descoberto um magnífico pórtico barroco em mármore que o arquitecto não usou de um modo óbvio, colocando-o a marcar a nova entrada. Ao invés, preferiu utilizá-lo evocativamente ao dar-lhe uma nova função assaz desconcertante: um lago! Todo o arranjo em torno desta peça museológica é absolutamente magistral, profundamente consciente do seu significado e, além de tudo o mais, de uma beleza arrebatadora. Verum Ipsum Factum.

 Antigo Novo Arquitectura Renovacao Ruinas Scarpa Veneza

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3 comentários

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Sendo Veneza uma cidade sob o signo da água, faz sentido mergulhar uma ruína/vestígio em água. Em Veneza as ruínas são aquáticas.
Por outro lado, numa escola de arquitectura, também faz sentido questionar a própria arquitectura, citando com alguma ironia pós-moderna, a própria história da arquitectura.
Já alguém disse (não me lembro quem) que a função do arquitecto é dar aos lugares uma ruína mais bela do que as outras.
Que bom é encontrar um projecto que traz consigo um pensamento.
Saudações aquáticas.
Rossi

rossi em 22 de janeiro de 2007 às 14h11

... pois é, o Scarpa. Bem recordado.

am em 22 de janeiro de 2007 às 17h12

ca em portugal as coisas são mais complicadas, as camadas de burocracia atrasam tudo, se juntarmos a isso uma crescente conversão do património em peças de museu intocáveis fica tudo estragado

tambem por isso lisboa está deserta e abandonada ao contrario de muitas cidades europeias que tem vida em todo o lado

indigente em 22 de janeiro de 2007 às 18h10







 
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