
Projecto para a urbanização da Costa da Caparica, 1930
Um passeio que se estende ao longo da marginal; um canal artificial para embarcações de recreio; uma alameda onde passam velozes automóveis; amplos espaços de estacionamento; um estádio desportivo, um casino dois hotéis e outros equipamentos culturais e lúdicos; pessoas que se dirigem para a praia atravessando pontes pedonais sobre o canal ou que entram para os edifícios. A Costa da Caparica poderia ter sido assim...
Esta visão exuberante do arquitecto Cassiano Branco lembra inequivocamente os planos de Le Corbusier para Paris ou as visões utópicas de Sant'Elia. E, todavia, é altamente provável que o arquitecto não os conhecesse. Tal como muitos dos arquitectos seus contemporâneos Cassiano Branco tinha um conhecimento limitado do que se passava no resto da Europa: escassas viagens, revistas raras, alguns relatos vagos.
É este contraste com um contexto atrasado e uma mentalidade tacanha que torna este projecto singular. Recorde-se que nesta altura apenas uma percentagem ínfima dos projectos era assinada por arquitectos e somente alguns deles modernistas. Com a proposta para este local - que só muitos anos mais tarde viria a ser alvo de interesse do poder político e da especulação imobiliária - e a organização a pensar no automóvel Cassiano Branco demonstrou uma visão muito à frente da sua época. Para o bem ou para o mal, uma utopia.

Já conheçe a nossa newsletter semanal? Receba ao fim de semana o que melhor aqui se falou nos outros dias. Com base na popularidade dos artigos e no nosso criterio editorial, somente o melhor, ao sábado! Assine já!
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.