
Queria ser pintor; desprezava a fotografia ao ponto de não a considerar uma arte. Não obstante John Deakin tornou-se fotógrafo. Ignora-se até hoje as razões que o terão levado a escolher aquela profissão; nunca as revelou e mesmo que o fizesse não seria motivo para lhe dar grande crédito: Deakin era um refinado mentiroso. Era também um alcoólico, um canastrão, um difamador e um insolente. Não tinha, de resto, respeito por nada nem ninguém.
Chegou a trabalhar para a Vogue onde os seus colegas e patrões o desprezavam: é incapaz de tirar uma boa fotografia de uma mulher bonita, diziam. Durante as sessões fotográficas encontrava-se sistematicamente bêbado e maltratava os seus modelos fazendo-os frequentemente chorar! Morreu em 1972, na miséria e no esquecimento, quando se embebedou de tal maneira para comemorar uma operação bem sucedida a um cancro no pulmão que teve uma paragem cardíaca...

O seu trabalho só foi resgatado algum tempo após a sua morte. Muitas fotografias tinham sido escondidas pelo próprio e outras destruídas. O pintor Francis Bacon, que com ele conviveu e foi diversas vezes fotografado, possuía algumas que chegou mesmo a usar em obras suas. Independentemente da sua personalidade excêntrica e rebarbativa, a obra fotográfica de Deakin revela características únicas e interessantes: as fotos são realistas, cruas e directas. Representavam aquilo que não sai propriamente nas revistas de moda.


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