Raï Musique

Publicado em musica por prill em 29 mai 2007 05:30 PM | 14 comentários

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O Mahgreb, bloco que agrega os países da África do Norte, do Saara e do Oeste do Nilo (Argélia, Líbia, Marrocos e Tunísia) partilha, além de diversos interesses políticos, a paixão por um tipo específico de música: a raï.

Sua origem remonta dos cheikh (velho) - poetas da tradição melhoun, de Oran, Argélia, que pregavam seus conselhos e sabedoria na forma de poesias cantadas - e vai desaguar na escapatória à moral islâmica mais severa, no início do século XX, permitindo inclusive às mulheres compor e cantarem livremente letras que exaltam, em enérgicas notas, o amor, a vida, o álcool e os prazeres da carne. No contexto popular o cantor também fala de suas desgraças, culpando sempre a si mesmo já que elas são geralmente causadas, em sua opinião, pelo desenfreio de seus comportamentos. A palavra então, que em sua origem, significa “opinião”, toma para si novo conceito tornando-se “discernimento”; a falta da raï, leva o poeta a tristes destinos.
Transformado em movimento musical, foi instrumento de resistência e mobilização contra as agruras da colonização e ditadura argelinas, fazendo emergir debates abertos sobre o direito de expressão demandada por sua temática provocativa e tanto libertária.
O ritmo encerra em si diversas influências que acompanham os movimentos de invasões e colonizações culturais estabelecidas na região: podemos encontrar traços da música judaica, francesa, hispânica e, obviamente, primordialmente árabe, através do estilo mais clássico al-andalous trazido do sul da região onde hoje é a espanha por volta de 1490.
A colonização francesa no século XIX popularizou ainda mais a raï: a sociedade empobrecida recorria com afinco aos cantares dos cheikhs e cheikhas para buscar em sua música, conforto, solidariedade e escape das dificuldades. Após a independência do país, o governo marxista suprimiu totalmente o ritmo.
A partir dos anos 60, a influência do rock, do soul e do reggae mudou completamente a face da raï: ao invés dos cheikh, entravam os cheb (jovem) que hoje utilizam, na mistura tradição-modernidade, instrumentos tradicionais e música eletrônica para produzir um ritmo inebrio-apaixonante-hipnótico, que circula livre pelo bloco Mahgreb agregando especificidades em cada região e que se destaca através de cantores como Cheb Khaled (personagem principal desta nova fase), Cheb Hasni, Cheb Faudel, Cheba Samira, Rachid Taha, DJ Nassim, Cheb Mami (que faz dueto com Sting na canção Desert Rose) e, recentemente, Cheba Djenet que marcou o filme Viva Argélia, de Nadir Moknèche, com sua Matejabdoulich; na película, a canção ajuda a desnudar os contrastes de um povo amante da vida e resistente aos violentos reveses de sua realidade política..
Para conhecer mais, vale uma visita atensiosa ao site Algerie Musique que disponibiliza albuns de raï (em tempo, o áudio de certas canções é tanto precário; toda compreensão é bem-vinda). Abaixo, Matejabdoulich, de Cheba Djenet.

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14 comentários

Voçê recebeu o meu e-mail eu mandei 2 mais um volto
não sei porque isso não é de acontecer.
Bom vamos ao que interessa.Eu achei bastante interessante a rai eu sinceramente não sabia o tipo de música que eles gostavam por isso que curto o seu blog ele enriquece os meus conhecimentos culturais.

Bruno em 29 de maio de 2007 às 18h37

Opa, parabéns pelo blog! muito interessante. Vi que você me adicionou como favorito no blogblogs porém, como você fez isto? tentei em vários lugares mas não consegui.

Até mais!

m. info

Mister Info em 29 de maio de 2007 às 19h36

Uau!, fiquei quase em êxtase a ouvir a música. É fantástica!

Dina em 29 de maio de 2007 às 23h28

É dançavel, Dina?

seven em 30 de maio de 2007 às 14h36

Claro!, conforme vocês tocarem eu danço. Sabes que na aula imediatamente anterior à minha pratica-se "dança do ventre". Como sou uma cusca do diabos, tenho topado os ensaios delas e pronto, aqui por casa já se usam os cortinados a servir de véu e fazem-se umas ondulações abdominais e tal... :$

Dina em 30 de maio de 2007 às 15h01

lol
desculpem me intrometer no diálogo mas, dina, me deixe te dizer que aqui comigo acontece o mesmo. salve o cortinado!

prill em 30 de maio de 2007 às 18h09

E as janelas então ficam devassadas??? ;)

seven em 30 de maio de 2007 às 22h04

Prill, intromete sempre. Faz de conta que estás no teu post.
A propósito do dito, não será preciso reforçar que gostei muito do que escreveste.

;)

Dina em 30 de maio de 2007 às 22h14

ao menos as minhas janelas... jamais. tenho de livrar os vizinhos de certos espetáculos absurdos e patéticos.
quanto a você dina?
ah sim, e fico muito feliz que tenha gostado. muito mesmo! obrigada.

prill em 31 de maio de 2007 às 01h10

Tive que parar de escutar o que eu estava escutando para ouvir essa música! Wow, confesso que fiquei surpresa, quase dancei. Hahahahahahahahaha.
Prill, seus artigos são sempre ótimos!

Isabella em 31 de maio de 2007 às 03h35

Eu não, Prill. Penso que a minha missão neste mundo, é contribuir para o equilíbrio físico e psicológico da vizinhança :$.
Em casa, dispo os preconceitos e dou azo à minha criatividade. O público que assiste, eu por reflexão, é exigente e perfeccionista.
Bom, deixa-me avisar que de manhã a minha auto-estima ronda apenas os 473,823466%. Não está no seu melhor, portanto. :$

Dina em 31 de maio de 2007 às 10h18

A propósito, onde é que moras? :D

seven em 31 de maio de 2007 às 11h05

Pronto, coisa fétida e antiquada, que é como quem diz "8-1", espero ter contribuido para satisfazer a tua curiosidade acerca dos meus vidros e, ao mesmo tempo, limpares a tua barra...ihihihih
Ai se fosse comigo, ai se fosse comigo...
muahahahahahahahahahahah

;]

Dina em 31 de maio de 2007 às 15h48

pronto! agora se juntaram as mulheres... onde esta postagem vai parar? hahahahaahah
meu público também é bastante exigente. também monolítico: um eu apenas. mas tenho feito grandes progressos, as aulas mais freqüentes ajudarão. logo poderei abrir as janelas. o que temo é apenas a chamada da polícia....
Isa, tens platéia. não escondas teu marido!

prill em 31 de maio de 2007 às 16h55

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
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