Sangue de Coca-Cola - Roberto Drummond

Publicado em artes e letras por prill em 3 jun 2007 05:32 PM | 7 comentários

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Relato das alucinações coletivas, num dia 1º de abril, quando o Brasil tomou Coca-Cola com LSD e entrou numa bad.

O que é estar-se preso em sua obra de maior sucesso? Roberto Drummond (1933-2002) lamentou até o fim de sua vida ser escravo de “Hilda Furacão”. Seu livro teve vendagens altamente incomuns, foi adaptado com igual êxito para a TV e hoje há ainda nas lojas DVDs e trilha sonora – se bem que foi o contrário: primeiro a minissérie, de1998, sendo um estrondoso sucesso e, em seguida, o livro, de1991. Infelizmente, fato é que a história da prostituta Hilda Müller sobressaiu-se tanto que as outras criações de Drummond ficaram embotadas demais para emergirem. Isso dá ao esbarro com o livro “Sangue de Coca-cola” um gosto a mais.

Não há muito o que se possa dizer da sinopse; o exército-Estado brasileiro decreta o Dia da Alegria, a inauguração de uma nova era onde todos os males que atingem a nação irão desaparecer. No bojo da tarefa, centenas de aviões da Força Aérea sobrevoam o país espalhando no ar lança-perfume para que todos entrem no clima da tal data comemorativa. Loucura? Sem dúvidas. Vinte anos de história do Brasil (mais ou menos entre 196? a 198?) se passam numa narrativa frenética, alucinada, psicadélica, complicada, dolorida e emocional (adjetivos, pra que te quero) cujo objetivo é penetrar na origem do ser brasileiro; no oscilar entre a ignorância e o brilhantismo, entre a histeria e a apatia; tudo entre ficção, realidade, macumba, esquizofrenia e muito... muito ácido lisérgico.

O tal sangue de coca-cola permeia toda a obra numa metáfora (quase) absurda, sempre acompanhada de uma também (quase) absurda borboleta verde, ora com ares de crítica anti-americanista, ora como análise de traumas de formação, outras simplesmente como um algo sem-sentido que tem a ver com uma Nossa Senhora Aparecida de manto vermelho. Enfim, é uma obra difícil de ser definida mas fatalmente inesquecível.

Sangue de Coca-Cola no Submarino.com

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7 comentários

Adoro a obra do Roberto e por uma felicidade enorme tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente (privilégio que tive por morar na mesma cidade). Existem alguns mistérios nos seus personagens (e que Roberto adorava manter), como se Hilda existiu ou não. Existem nomes para ela.....
Foi um baluarte na reconquista da democracia brasileira.
Esse post despertou em mim uma enorme saudade da Savassi (um bairro de classe média alta de Belo Horizonte), lugar esse que você sabia que ia encontrá-lo andando, andando, andando..
Saudades de Minas, saudades do andarilho...grande poeta!!!!

Sandra Leite em 3 de junho de 2007 às 18h37

Pois é... Bela dica de alguém das minhas montanhas de ametistas... Beijo.

Claudinha em 3 de junho de 2007 às 20h57

Não sei se não gostei do texto ou se não gostaria do livro (o que é bem provável), mas fiquei feliz em ver que Priscilla escreveu sobre ele. Foi ela que me trouxe a esse blog, sou mto seu fã e acompanhei todo o período em que ela fazia a leitura de "Sangue de Coca-Cola" - trabalhávamos juntos à época! Pela descrição consegui entender pq ela gostou tanto do livro, rsrsrsrs
Bjo minha amiga!

Allan em 4 de junho de 2007 às 00h20

Sandra, um privilégio imenso... estou tentando imaginar as caminhadas.

prill em 4 de junho de 2007 às 00h56
c.marto em 4 de junho de 2007 às 01h57

"...saudades do andarilho..." Gostei!
Sandra, zurique_2006@yahoo.com.br

Alexandre Freitas em 4 de junho de 2007 às 14h21

Oi. Também gostei do comentário, especialmente porque ele não define muito o que é este romance. Sangue de Coca- Cola é (quase) o que o julgamento do leitor quiser. Gostaria muito de trocar algumas idéias com a Priscilla sobre o livro, já que o estudou. Eu me vejo na mesma empreitada! Vou deixar o e-mail, caso seja possível um contato. Aguardo ansiosa!
Obrigada!

Mariana em 13 de junho de 2008 às 17h30

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