
O sucesso cinematográfico do agente secreto James Bond, não lhe tirando o mérito, é fruto de um feliz conjunto de circunstâncias, entre elas a falta de um concorrente à sua altura. Mas as coisas podiam não se ter passado da mesma maneira se, em 1965, The Ipcress File não resultasse num flop. Os pontos de contacto com a saga de James Bond eram inúmeros e este filme tinha todos os ingredientes para triunfar: um bom argumento, um excelente actor (Michael Caine) e a mesma equipa de 007 - Harry Saltzman na produção, Peter Hunt como editor, banda sonora de John Barry e cenários concebidos pelo genial Ken Adam.


O filme resultou da adaptação cinematográfica de um romance homónimo de Dan Leighton publicado em 1962 e relata uma história de espionagem com incursões no mundo da neuro-psicologia (Ipcress é, na verdade, um acrónimo para Induction of Psycho-neuroses by Conditioned Reflex under strESS). O herói, que no filme recebe o nome de Harry Palmer, apresenta várias semelhanças com o fleumático e charmoso personagem de Ian Fleming: tal como ele trabalha para uma agência governamental, recorre a numerosos gadgets e aprecia a boa cozinha.
Apesar de terem sido feitas duas sequelas com o mesmo actor, Funeral in Berlin, em 1966, e Billion Dollar Brain, em 1967, a série passou quase despercebida, longe do sucesso do seu rival James Bond. Lembro-me de há muito tempo ter passado na televisão, ainda a preto e branco. Ainda hoje não se sabe muito bem qual a razão do seu falhanço comercial. Estratégias promocionais, quiçá, ou então apenas por Michael Caine nunca ter dito com ar sobranceiro e afectado: Palmer. Harry Palmer.



Alguns magníficos desenhos de Ken Adam para os cenários do filme.
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