AK-47: a arma do século XX #2

Publicado em tecnologia por prill em 15 jul 2007 05:33 PM | 7 comentários

 AK-47 Kalashnikov Armas Guerra Afeganistao Taliban USA USSR
Nicholas Cage como Yuri Orlov (Lord of War, 2005)

Ainda que o mesmo negue, há claras semelhanças entre o design da arma de Kalashnikov e suas predecessoras como a alemã Sturmgewehr 44 e a italiana Cei-Rigotti. O que diferencia a criação do general da dos outros rifles de assalto (e lhe confere a genialidade) é justamente seu design simples: a AK-47 possui apenas oito peças. Pode ser montada facilmente em 60 segundos até mesmo por uma criança que saiba lidar com blocos de Lego e, principalmente, é adaptável à produção de larga escala o que otimiza economicamente e estrategicamente seu uso: no meio do conflito, um soldado pode consertar seu rifle com as peças do outro primeiro que encontre pelo campo. Tem ainda fama de ser indestrutível: resistente à entrada de areia, de água, pode cair de grandes alturas, rolar na lama, ser chutada, que continuará disparando seus 600 tiros por minuto logo em seguida. Juntando-se a isso seu fácil manuseio, tornou-se a estrela não apenas de Stalin, mas de todos os líderes guerrilheiros, ditadores, radicais religiosos e chefes do tráfico da Ásia à América.

Em 1958, a Avtomat Kalashnikova 1947 participou de seu primeiro conflito fora de casa: com apoio da URSS que proveu os armamentos, o Vietname do Norte invadiu o Laos e, pouco mais de seis anos depois, quando da invasão sul vietnamita pelos Estados Unidos, as AK-47 provaram seu desempenho nas florestas tropicais lamacentas contra a serie de inaptabilidades do M-16 (também desenvolvida com inspiração de Kalashnikov, mas pelos americanos). Este último arrecadava então para si a fama de ser uma arma exigente, intolerante a sujeira e outros reveses naturais de uma guerra.

Nos anos seguintes à Guerra do Vietname, a AK-47 iria se espalhar pelo planeta dando poder e prestígio a traficantes, assassinos e terroristas que mudariam a face do mundo”. A citação é de Lary Kahner em seu livro AK-The Weapon that changed the face of war e serve a nos ajudar na visão do processo que levaria o rifle de assalto a todos os cantos do planeta: com a vitória em campos asiáticos, a República Soviética decidiu avançar sobre o Afeganistão buscando expandir o comunismo ao Oriente Médio. Forneceram assim armas ao país, que se declarou favorável à URSS em 1978 após o assassinato do governante Sardar Daoud Khan (e de toda sua família) e subiu ao poder o Partido Democrático Popular, comunista. Dez anos depois o regime chegava ao fim com a expulsão dos soviéticos pelos mujahedin (tropa treinada e armada pelos Estados Unidos), mas a AK-47 já estava enraizada na memória afegã. É a consagrada arma Talibã com a qual Osama Bin Laden é sempre fotografado.

Com o fim da União Soviética, grandes estoques de tanques, helicópteros e outros armamentos ficaram inutilizados. Mas por pouco tempo: os próprios militares da ex-república socialista encarregaram-se de negociar clandestinamente todo o arsenal comunista através de figuras como Victor Bout, que inspirou o Yuri Orlov do filme “O Senhor das Armas”. Iria assim alimentar a demanda dos rebeldes e guerrilheiros africanos; também dos governos que seriam por eles implantados como o da Libéria de Charles Taylor. Este viria a se tornar conhecido como um dos maiores psicopatas da história e a AK-47 viria, mais uma vez, a se tornar ícone de um povo.

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7 comentários

um belo post, sobre uma arma bem difundida. Dizem que é uma arma pesada (se não me engano tem 7Kg), daí os EUA buscarem fabricar material de rendimento semelhante, mas menor peso.

catatau em 16 de julho de 2007 às 22h40

na verdade, nem tanto:o rifle possui 3,8kg descarregado e 4,3kg quando carregado.
e tenho a impressão de que os americanos, ainda que tenham conseguido aperfeiçoar o modelo, são fascinados por ele. e há ainda todo o mito que cerca a kalashnikova, um mito ligado à esta carreira letal. enfim...acabo de me lembrar daquela cena de Jackie Brown em que o Samuel L. Jackson está assistindo à uma propaganda da ak...
até

prill em 17 de julho de 2007 às 02h16

o brasil deveria ter uma fabrica de ak 47 e equipar as forças armadas, e as policias com esta arma... tambem deveriamos importar armamentos mais sofisticado pra combater o crime onde quer que ele esteja...

ferreira em 17 de novembro de 2007 às 16h27

Esse Prill é um bostinha que deve jogar CS, só pode... A AK é rifle de longo alcançe sendo invialvel a utilizacao em guerrilha urbana, pelo menos por parte da polícia, pois tem um poder de perfuração enorme.. Se utilizassem isso seria tiro pra todo lado, seria adequado pro brasil, algum tipo de sub-metralhadora, estilo a mp5.

Rafael em 8 de fevereiro de 2008 às 18h42

Talvez, Rafael. As armas de munições perfurantes de calibre médio, 7,62mm, por exemplo, têm uma aplicação determinada sobretudo em cenários de guerra. Para detenção usam-se armas com projécteis de 9mm de ponta redonda.
Obrigado pelo seu comentário. Já agora: "Prill" é ela e não ele ;)

seven em 8 de fevereiro de 2008 às 22h03

amigos,o poder de perfuração do ak é praticamente o mesmo do 762x51,ja a balistica do 762 é comprovadamente melhor,portanto,considero o 762 ideal para qualquer aplicação.

luciano em 15 de abril de 2008 às 18h47

seria uma boa sim utilizar o AK-47 para combater o crime, os próprios traficantes a utilizam e muitas vezes quando os policiais apreendem armas como essa eles a utilizam para reforçar o arsenal. Apesar de ter um alto poder de perfuração pode ser usado com tiros precisos. Uma MP5 é uma arma fraca e que perde completamente a eficiência a média e longa distância(muitas vezes os traficantes atiram de uma boa distância) e uma pobre MP5 só serviria em situações de invasões a casas/recintos, já o AK-47 é bom em todas as situações. E sim o Brasil deveria utilizar o AK-47 do mesmo jeito que utiliza a Fal que é mais cara e menos eficiente.

Jorge em 24 de maio de 2008 às 20h33

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