
No início do século XX era comum nas inúmeras casas de prostituição que existiam no sul do Estados Unidos haver um pianista ou mesmo uma pequena banda que interpretava um repertório muito característico. Este repertório era constituído por temas de sonoridade crioula, a lembrar as quadrilhas e merengues do Haiti ou o calypso jazz da Trinidad. Chamavam-lhe spanish jazz devido às suas semelhanças com o tango ou com a "batida" habanera, muito popular no México, Cuba e, posteriormente, no Hawaii.
Ferdinand "Jelly Roll" Morton começou a sua carreira musical aos catorze anos, precisamente como pianista de um bordel em Nova Orleães. Interpretou e compôs muitos temas deste género que reflectiam a mistura de influências que então se faziam sentir no sul dos EUA, sobretudo africanas, francesas e mexicanas. Muitas das composições de Morton destinavam-se a ser tocadas por pequenas orquestras de cordas compostas por guitarras, bandolins e violinos. Estas formações eram alternativas às das primeiras bandas de metais e partilhavam repertórios idênticos. Nos anos 20' o estilo ragtime de Morton começou a tornar-se obsoleto, substituído progressivamente pelo jazz mainstream que praticavam Louis Armstrong e Earl Hines.

The Pearls (Jelly Roll Morton) - Ry Cooder
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