Poemas indecorosos de Olavo Bilac

Publicado em artes e letras por prill em 16 ago 2007 05:25 PM | 7 comentários

 Klimt Love Olavo Bilac  Blog.Uncovering.Org Klimt Love
Gustav Klimt - Love

Tenho uma memória bastante clara das aulas de Literatura que fiz ao longo da minha vida escolar, nelas, o poeta Olavo Bilac sempre foi fixado na minha imaginação como sendo aquele senhor polido, patriota, enfadonho e reaccionário. Daí o supreendente que foi, ao me inscrever e frequentar recentemente um curso universitário de Literatura Brasileira, descobrir que o tão proclamadamente apático poeta parnasiano, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, autor do Hino à Bandeira Nacional, adorador de formas marmóreas e da sobriedade era, na verdade, um devasso.

O poeta tem peças dum erotismo tanto perverso, delirante, pornográfico, que certamente corava as professoras tão sóbrias que tive . Fiquei depois descobrindo que ficou famoso o papelucho deixado por Emílio de Menezes para epitáfio do amigo: "Bilac esta cova encerra. Choram sacros e profanos... Muitos anos coma a terra, a quem comeu tantos ânus!". Se eu houvesse sabido dessas façanhas antes... teria sido uma aluna mais diligente.
"Delírio" ganhou para sempre o meu favoritismo.

Satânia
(...)

Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...

Beijo Eterno
Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!<
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem! ? num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
Mais abaixo, meu bem! ? disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…

Última Página
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

(...)

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7 comentários

Tórrido...que aulas de analise profunda estes poemas proporcionariam. XD

Ana em 16 de agosto de 2007 às 21h36

Gostaria de me informar melhor. Poderiam me fornecer a fonte de onde extrairam os poemas acima? Grato. A.

araken martins em 17 de agosto de 2007 às 02h07

oie..

meu aobra dele...e mutoo 4111000


parbens...


por terem peservado..essa raridades!!

D em 3 de outubro de 2007 às 22h52

Estou a procura do poema Satania completo; gostaria de pedir encarecidamente e urgente se vc poderia me ajudar a ter este poema em mãos. Caso seja possivel, peço que encaminhe-o para o meu email.

Desde já agradeço a colaboração e aproveito para reiterar meus votos de elevada estima.

Rita furtado em 7 de fevereiro de 2008 às 13h24

Gostaria muito que vcs enviassem para o meu e-mail um poema do olavo Bilac que foi recitado na novela laços de família da Rede Globo...
Obrigada!

Rita Pereira em 29 de abril de 2008 às 18h20


Gostaria de saber se um poema que menciona o começo do mundo, Adão,
Eva e um contexto de que Adão abandonava Eva, esta chorava e, em
seguida as lágrimas de Eva se transformavam em pérolas. Não tenho
certeza se o poema era mesmo de autoria de Bilac.

Rui Antonio em 26 de maio de 2008 às 00h38

Adoreui,todos os poemas que li.A linguagem do escritor é otima pois descracha senxualidade porem ñ é pornografica.
parabens,(hó nem curto arte)

jefferson em 13 de junho de 2008 às 04h47

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