
O que se espera de uma fotografia? Que seja um retrato fiel, preciso e objectivo da realidade visível, dirão; que mergulhe nos aspectos mais dissimulados e efémeros do real, os registe e os revele perante os nossos olhos maravilhados de forma crua e tangível; que seja mecânica e mimética. Nada disso. A fotografia é uma ilusão, uma mentira, como toda a arte, se o quiser ser. Esta é a perspectiva de Jerry Uelsmann, um fotógrafo americano que há quase 50 anos cria imagens fantásticas e surreais com o recurso a fotomontagens.
O currículo de Uelsmann é extenso e denota uma vida inteira dedicada à fotografia, dividida entre a investigação e o ensino. Durante muitos anos leccionou na Universidade da Florida e apenas se aposentou recentemente. O seu trabalho, apesar de mundialmente conhecido, não tem objectivos comerciais e, por isso, o ensino foi sempre a sua fonte de subsistência quase exclusiva.
A ideia central do seu trabalho é que uma imagem fotográfica não precisa de estar necessariamente presa a um único negativo; ao invés, pode resultar de uma composição de vários negativos. Esta concepção deixa definitivamente para trás o entendimento tradicional da fotografia como documento visual de um dado acontecimento e abre-lhe novas portas a nível estético e artístico.
Tal como o pioneiro Oscar_Rejlander no século XIX, Uelsmann chega a utilizar mais de uma dezena de negativos para compor uma imagem. Todavia, ao contrário daquele, não procura um resultado coerente ou narrativo mas sim o fantástico, o inesperado, o surreal, o misterioso, o poético. Com o advento recente da fotografia digital e do software de edição de imagem é possível hoje em dia fazer algo parecido com o que Uelsmann fez durante muitos anos com grande destreza e muitas horas passadas na câmara escura.





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