
Em 1936 o construtor americano de veículos automóveis General Motors entendeu dar a conhecer os seus produtos e as suas inovações tecnológicas a todo o país numa acção de propaganda sem paralelo a que chamou Parade of Progress. Constituiu para o efeito uma imensa caravana composta por veículos, material expositivo e pessoal qualificado que se fez à estrada.
Se bem que o primeiro objectivo fosse comercial é difícil não ver também nesta iniciativa algum altruísmo. Era gratuita, educativa, recreativa e não comercial, aspectos importantes no contexto da Grande Depressão que então se vivia. A caravana percorria todas as estradas dos EUA procurando sobretudo as pequenas cidades, comunidades rurais e todos aqueles que não poderiam visitar nunca uma grande exposição. O seu êxito foi enorme.
A exposição itinerante teve várias edições e chegou inclusivamente a deixar o território americano e a visitar o Canadá, o México e Cuba. Os visitantes podiam assistir a palestras e demonstrações diversas que versavam assuntos que iam desde equipamentos de som estereofónico a fornos de micro-ondas, passando por soluções para o tráfego urbano e aparelhos de ar condicionado. As palestras demoravam cerca de 45 minutos e a caravana permanecia no local entre dois a quatro dias. Foi assim ao longo de 20 anos, até 1956, apenas com a interrupção da guerra.
Como é evidente, a logística de uma acção como esta era enorme e complexa e demorou cerca de um ano a preparar. Tendas, toldos, estrados, geradores eléctricos, iluminação, expositores, etc., foram engenhosamente concebidos para andar de um lado para o outro de modo seguro, fiável e funcional. Para o transporte a GM adaptou oito dos seus camiões da época, a que chamou Streamliners, com painéis laterais basculantes e um palco retráctil. Posteriormente estes veículos foram aperfeiçoados e redesenhados com aspecto futurista, de tal modo que se tornaram o ex-libris da caravana - os Futurliners.
Para montar e manusear todo este equipamento era necessária uma equipa especializada composta por quatro a cinco dezenas de homens de idade inferior a 30 anos, solteiros e licenciados. Depois de guiarem a caravana e montar a exposição mudavam de roupa e tornavam-se palestrantes - trabalho duro! Não obstante todos eles referiram que estes anos foram os mais loucos das suas vidas...




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