de viribus quantitatis: o poder dos números

O mais antigo texto mágico ocidental de que há conhecimento foi escrito em meados do século XVI por um personagem curioso, matemático e monge franciscano, professor e amigo ntimo de Leonardo da Vinci, de quem se diz ter sido um dos que auxiliaram o Mestre na realização de uma das suas obras primas: "A Última Ceia". Escrito em italiano por Luca Bartolomeo de Pacioli entre 1496 e 1508, contém a primeira referência conhecida aos puzzles numéricos, aos truques de cartas, à forma de executar malabarismos, engolir fogo e fazer moedas dançar. Curiosamente é também o primeiro trabalho publicado a denotar o facto de Leonardo ser canhoto.
Tido como "a base da magia moderna e dos puzzles numéricos", "De viribus quantitatis" permaneceu durante séculos por publicar, encerrado na Biblioteca de Bolonha e só acessível a alguns poucos iniciados. Redescoberto pelo matemático David Singmaster que o viu referenciado num escrito do século XIX, o manuscrito está dividido em três secções distintas: problemas matemáticos, truques e puzzles, e uma colecção de versos e provérbios.
Literalmente uma fonte de informação sobre a vida, o trabalho e o gosto de Leonardo por jogos e truques, esta preciosidade matemática considerada pelo autor como um compêndio, descreve entre outros conceitos tão interessantes como um puzzle móvel, o antecessor medieval do cubo de Rubik, puzzles numéricos de alguma forma semelhantes ao Sudoku actual, um protótipo de um compasso marítimo, técnicas de criptografia e de escrita de mensagens na pétala de uma rosa, e dois truques que devem ter levado o epíteto de milagre concedido pelos espectadores da época: lavar as mãos em chumbo derretido e fazer um ovo deslocar-se sózinho no tampo de uma mesa.
Pelo cruzamento de escritos de Frei Luca Pacioli e Leonardo da Vinci o mais provável é que a relação entre ambos tenha conduzido a um intercâmbio mútuo de ideias e descobertas, e a uma entreajuda activa no desenrolar dos seus projectos. E se atentarmos a que na época em que o livro foi escrito muitas pessoas eram queimadas vivas na fogueira acusadas de prática de bruxaria, fica-nos a ideia que Pacioli com este manuscrito pretendeu demonstrar que os truques de magia têm tudo a ver com a mão ligeira e nada com o sobrenatural, e assim, ao livrar o mundo das teias da superstição, torná-lo mais racional e compreensível.

A Divina Proporção aplicada ao rosto humano
Pacioli ficará também para a história como o pai das modernas técnicas de contabilidade ao descobrir e descrever a "técnica da dupla entrada" no seu livro "Summa de arithmetica, geometrica, proportioni et proportionalita" de 1494, e pelo "De divina proportione", um tratado de matemática e de proporções artísticas escrito entre 1496 e 1498 e ilustrado por Leonardo da Vinci.
Um franciscano e tanto este Pacioli.
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19 comentários
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Jr,
Um franciscano e tanto este Pacioli e um post e tanto esse, JR!
Li os últimos sobre fotografia. Maravilhosos! São tão densos que não posso deixar de parabenizá-lo agora!
Estou literalmente dependente de Obvious :D
Sandra Leite em 30 de outubro de 2007

O JR é um excelente colaborador ;)
seven em 30 de outubro de 2007

De facto o JR é um excelente editor! "Obriga-me" a olhar cada vez mais demoradamente para o Obvious.
p.s Será que o crescimento do Obvious obedece tb à proporção divina... ;)
Victor M em 30 de outubro de 2007

Vitor: Era também interessante que a proporção divina se aplicasse aos comentadores deste blog... bem ou mal, lá esta a haver mais participação... confesso que as vezes comentamos entre nós: "Mas porque será que ninguém comenta nada?"
bjr em 30 de outubro de 2007

Divina?!, oui, c’ est moi!
cof, cof, cof,…
:D
Bom, passemos ao que interessa...hehehehehe
O gajo, o Luca, era fixe, sim sr! E teve, também, grandes momentos de inspiração, sim sr! Porém, cometeu no «Summa…» uma incongruência do catano!...tem a lata de terminar o cartapácio de 600 páginas dizendo que a solução das cúbicas - “x^3+ mx = n” e “x^3 + n= mx” – parecia tão impossível como a quadratura do círculo! Tsss…tssss…tssssssss....tsssss.....“Balhó” Deus!
Isto só mostra o quão mal informado andava! Sabemos perfeitamente que, já naquela altura, uns gajos de Bolonha sabiam como resolver a “cousa”.
Só o desculpo, porque… não havia “net com fios”, senão…
P.S.: a próxima vez que isto me limpar o texto faço aqui um chinfrim… :[
Dina em 31 de outubro de 2007

Tens toda a razão quanto às cúbicas... :)
seven em 31 de outubro de 2007

Bolas!, esqueci-me que não pescas nada de "franciu".
Dina em 31 de outubro de 2007

Então mas o gajos de Bolonha não são italianos?
seven em 31 de outubro de 2007

Até estou comovida com a tua pergunta!
tssss.....tsss....
Deixa-te de "cousas", sqrt(49), e vai directo ao assunto...
Já te disse que fiz uma redacção na escola primária sobre o "Ars Magna"? Ah pois!, ainda hoje se notam as sequelas... :[
Dina em 31 de outubro de 2007

É a primeira vez que alguém me chama raiz quadrada de 49...
E eu já te disse que fiz uma redacção sobre "A vaca"?
seven em 31 de outubro de 2007

E quem te inspiraste?!
Dina em 31 de outubro de 2007

Na Cornélia
seven em 31 de outubro de 2007

"Cornélia", o que é isso?
Dina em 31 de outubro de 2007

Esqueci-me que ainda és uma criança...
seven em 31 de outubro de 2007

Eu não sou criança, mas sou uns bons anitos mais nova que tu...Toma!
Dina em 1 de novembro de 2007

Uns anitos, só? Pensei que eras mais nova...
seven em 1 de novembro de 2007

Não quis ser indelicada...mas pronto, eu corrijo: são anões.
Dina em 1 de novembro de 2007

LOL... sqrt(49) é absolutamente lindo :) a nossa amiga dina anda muito bem humorada.... que se passa Dina? humm??
bjr em 1 de novembro de 2007

Eu sou a Dina e hoje ainda não disse nenhuma...
As reuniões nos "bem dispostos anónimos" têm-me feito bem, Bjr.
ah!, que falta de chá a minha...bom dia, bom dia!
:]
Dina em 1 de novembro de 2007