O homem que assassinou ernesto guevara

Fotografia de Alberto Korda
9 de Outubro de 1967, o homem que assassinou Ernesto Guevara criou, sem o saber, um mito. Em duas rajadas. A CIA arquitectou, Barrientos juntou o útil ao agradável e ordenou, Félix Rodriguez supervisionou e Mario Terán executou. Simples rápido e eficaz: a Revolução, de uma assentada, tinha perdido um combatente e ganho um mártir.
La Higuera, 9 de Outubro de 1967, 13,10h: Mario Terán Salazar, sargento do exército boliviano, cumpriu as instruções de Félix Ismael Rodríguez Mendigutía, operacional cubano anticastrista e agente da CIA que tinha recebido uma ordem directa nesse sentido de René Barrientos, o ditador de serviço na Bolívia, e com duas rajadas de metralhadora punha um ponto final na vida do guerrilheiro Ernesto Guevara, o "Che", ferido numa perna e feito prisioneiro no dia anterior após o combate da ravina de Quebrada del Yuro ao lado do grupo internacional de guerrilheiros que comandava.
O mito vivo tinha-se transformado em mártir da Revolução que amava, à qual dedicou a sua existência e pela qual pereceu.

O corpo do Che foi transportado para Vallegrande onde foi exposto à turba e aos jornalistas e, nessa altura, o jornalista Richard Gott do The Guardian, perante o corpo mutilado de Guevara, afirmou profeticamente: "O comandante Ernesto Che Guevara ficará para a história como a figura mais importante desde Bolívar. Ele foi talvez a única pessoa capaz de encaminhar as forças radicais de todo o mundo numa campanha concentrada contra os Estados Unidos. Agora está morto, mas é difícil imaginar que as suas ideias morram com ele".
Em 1997 os seus restos mortais foram encontrados numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 Km de onde ocorreu a sua execução. O seu esqueleto estava sem as mãos, que foram amputadas para servir como troféu logo após a sua morte. Os seus restos mortais foram transferidos para Cuba onde, em 17 de Outubro desse mesmo ano, foram enterrados com honras de Estado. Chegava assim ao fim a conturbada existência deste médico de formação, marxista ortodoxo e revolucionário por convicção, guerrilheiro e internacionalista por opção, que marcou decisivamente a história revolucionária do século XX.


Pese embora a consistente teoria da "traição cubana" que continua a pairar no areópago das "eternas dúvidas plausíveis que dificilmente se virão a esclarecer", para a história ficam também os destinos dos outros intervenientes: quase todos os companheiros do Comandante Guevara foram mortos em combate ou executados, e a guerrilha na Bolívia sofreu na época um duro revés; Barrientos, o mandante, ditador e protector de Klaus Barbie, morreu em Abril de 1969 num estranho acidente de helicóptero, mas ainda teve tempo para assistir, em 1968, ao escândalo do desaparecimento do seu amigo e Ministro do Interior, o controverso Antonio Arguedas que, para além de ter admitido ser um agente marxista infiltrado e de ter desviado para Havana o famoso diário capturado a Che Guevara, ainda denunciou publicamente as atrocidades do ditador e dos seus colaboradores e as ligações do regime à CIA.
Rodriguez continua vivo, e depois de muitos anos a sujar as mãos ao serviço da CIA, nomeadamente ao serviço do tristemente célebre Phoenix Program, abraçou uma carreira política de pouco sucesso, que ainda mantém, pese embora as suas conhecidas ligações ao clã Bush.
Mario Terán, que quis a ironia do destino fosse, no ano passado, operado com sucesso às cataratas por médicos cubanos no âmbito da "Operación Milagro", vive, mas transido de medo, como revelou recentemente numa entrevista à revista "Piauí", onde relata com pormenor os acontecimentos de La Higuera e todo o seu degradado trajecto pessoal desde então.
A Bolívia é hoje um estado mais democrático, cujo presidente Evo Morales tenta, com avanços e recuos, resistir aos avanços do grande capital e das forças políticas que o apoiam. Os camponeses bolivianos, esses, continuam a labutar de sol a sol, da mesma forma, com os mesmos proventos e os mesmos direitos de então. A CIA permanece imparável, semeando impunemente ventos e tempestades pelas sete partidas do mundo.
A Revolução, essa, resiste e continua. Pálida, tímida e titubeante, é um facto. Mas, que não restem dúvidas, continua!




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23 comentários
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Jr., impecável seleção de imagem. Ou melhor, tudo absurdamente impecável.
O giro do mártir Che é parado: os assassinos ideológicos ou não prosseguem seus degladios. Ao resto (da maioria) só importa o imprescindível.
prill em 11 de outubro de 2007 às 05h12

Pena que vivemos numa sociedade manipuladora de opniões onde fazem verdadeiros heróis tidos como assassinos !!!!!
ViVa Che...Muerte aos capitalistas !!!! disimadores da fome !!!!
Luis em 9 de abril de 2008 às 00h26

AMEIIII!!!!♥
Paula em 23 de outubro de 2008 às 00h25

bom hoje em dia não temos mais ernesto guevara mas os ideais dele não foi enterrado com ele uma parte da revolucção esta dentro de cada um e dentro de mim
mas o que vou fazer
vou tentar melhorar minha atitudes e levar a diante que ninguem é capaz de fazer a fome no mundo acaba com 2bilhões de dólares e isso é impossivel mas quando a chevrolet e outras estão falindo os eua ajuda com apenas 13 bilhões de dólares por isso que essa porra não vai pra frente
daiane em 16 de fevereiro de 2009 às 22h51

É tão forte a imagem real que Che Construiu ao longo de sua vida que o capitalismo com todo o seu poder de menipulação de opinião não conseguiu desconstruir o verdadeiro ideal de Che
Francisco Germano em 3 de março de 2009 às 11h47

Assassinou o Che? Che Guevara era um assassino, um terrorista egocêntrico. Só na América Latina para vingar um tipo sangrento-populista como esse, que povo burro!
Roberto em 3 de março de 2009 às 15h23

Quando um Homem luta por uma causa alheia é SEMPRE UM HEROI!
O mundo está como está porque existem muito poucos CHEs.
Não tenho idolos por uma questão de principio, mas tenho uma grande admiração por este HOMEM e pela forma como decidiu empenhar a sua vida.
Isabel Melo em 3 de março de 2009 às 17h05

ñ há ideal q mereça MORTE e se che ñ acabou seu curso e trocou por ARMAS com elas morreu. Pax para nós que vivemos do AMOR e a fome SÓ ACABA COM COMIDA QUE CRESCE NOS CAMPOS E Ñ COM DINHEIRO MESMO Q ESTEJAMOS NO capitalismo. temos q estudar para entender o q s diz especialmente OS DE PORTUGAL (8 SÉCULOS DE HISTÓRIA, NÉ?)
DAVIDA em 3 de março de 2009 às 18h57

Sei la hein, não sei muito sobre este personagem e o pouco que sei não faz com que ganhe minha simpatia.
Carlos em 11 de março de 2009 às 06h39

sobre che guevara nem sei o k dizer.é k uma vez vi no canal historia um grande documentario sobre ele!era de facto alguem com muito carisma,um idealista,um homem de grandes sonhos.mas o mundo nao estava preparado para ele kuanto mais cuba ou a bolivia ou a argentina...é sobretudo um mito.mas tem todo o meu respeito.p.s. gostei imenso do filme com o g.garcia bernal.excelente!
pedro nuno a. silveira em 12 de março de 2009 às 19h27

um camarada que merece muito mas que cometarios e se respeito.
dianel em 14 de março de 2009 às 13h30

Quem tem coragem de criticar um homem que tem seus ideais, simplesmente deve antes de tudo entender o contexto histórico causador da mentalidade dele e depois saber onde ele realmente se inspirou, Che Guevara realmente acreditava naquilo por que estava lutando, não era mais do que um sonhador que pegou em armas para defender seus sonhos, se fez certo ou errado não importa, o importante é que todos que realmente tentam mudar o mundo acabam por sofrer muito e morrer de forma triste e miserável, mas constróem um pilar de sustentação para os ideais que virão no futuro, por isto, antes de chamar o Che de assassino, porque não perguntas quantas vezes tentou salvar alguém da fome, miséria ou algo parecido, pois em outros tempos você poderá ser considerado assasino por negligência.
Vivam com mais intensidade e acreditem mais nos seres humanos, quem sabe assim poderemos fazer um mundo melhor.
Lucas em 8 de abril de 2009 às 19h39

che muita adimiração por ele porq só queria acabar com a fome + ñ morreu seus ideais + na moral ñ só no nosso pais + no mundo todo se tivese meia duzia d ches já fazia muita diferença vc fez muito cara queria ter lutado a seu lado nas batalhas com muito prazer e se tivesse de morrer com forme vc e pelos mesmos ideas estava tranquilo é isso
rafael ribeiro moraes em 9 de abril de 2009 às 05h26

Assassinos serão com toda a certeza aqueles que, com poder monetário, deixam morrer à fome milhões, com a avareza de ter.
Che perdeu a vida a lutar por ideal que acreditava proporcionar melhor vida aos outros, não perdeu dinheiro... não deu dinheiro deu algo muito mais valioso a própria vida!!!
Isabel Melo em 9 de abril de 2009 às 10h21

Quem dizer mal de Che Guevara é UM PALHAÇO! e não tem outra palavra... Ele juntamente com muitos outros fizeram tremer os paises grandes e abriram os olhos a muitas pessoas...
Ele assassino? Sim, é... E os que os oprimiam os camponeses de Cuba ou da America Latina? o que eram? Não sei o que é pior tirar a liberdade e espezinha-los ate ao fim ou matar? Claro que a primeira opçao é pior.
Muita gente devia lavar a boca antes de falar de Che Guevara e ver e ler bem o que ele fez e foi. UM JUSTICEIRO.
Che Guevara fez tudo para repor a justiça no mundo e em prol de outros.
N
Flávia Sanches em 10 de abril de 2009 às 17h24

Toda democracia é construída com sangue, se foi derramado sangue inocente, eu posso condenar o Che, de outro modo, sigo confiando nos fatos verídicos e nos históricos que fazem do Ernesto o único herói de verdade que nós da américa prostituída (latina) conseguimos até hoje. Duvido que chegará um dia em que o povo americano do norte se compadecerá dos irmãos do sul, e que se chegue este dia, veríamos sangue inocente nas mãos destas pessoas?
Milani em 22 de abril de 2009 às 18h25

Bem hajas COMANDANTE!
HAL em 5 de maio de 2009 às 23h48

O che era o Himler do Fidel. Nao chegaram a criar o impacto da alemanha nazi mas a mim nao me enganam. è pena que muita gente nao consiga diferenciar um heroi de um assasino, tanto Himler como Che eram....assasinos
luis em 23 de maio de 2009 às 18h17

CHE GUEVARA foi um grande pensador, idealista e, revolucionário. Deve ser respeitado e admirado por sua coragem!
Silvanio Soares em 8 de setembro de 2009 às 23h36

CHE era o cara!!!antes de vocês hipocritas falarem desse revolucionario sujeito homem,e o chamarem de assassino,pq vocês principalmente os proprios brasileiros não levantam a bunda da cadeira e lutam por algo a favor de vocês mesmos?!todo mundo reclama do governo,da criminalidade,das drogas etc...e o q vcs fazem???trabalham,reclamam,criticam...mas não fazem nada!!!em vz d voltar pra casa e assistir tv,pq vcs não lêem livros e se informam?
anonimo em 21 de setembro de 2009 às 14h16

Ernesto Guevara, foi assassino sim! Assassino do conformismo latino. Fez algo que desacredito que voltará à ser feito por aqui. Acho que deve ser respeitado por lutar pela liberdade econômica e ideológica do povo que viu sofrer, pois se doou por inteiro em pró de melhores condições e qualidade de vida de escravos, fantasmas conformistas, tentando mostrar à eles que é preciso mais, que é possível mais, que nós podemos mais! Basta levantar a cabeça e aprender a dizer não! Acontece que a escravidão latina ainda vive de venerar e juntar migalhas do "1° Mundo". Empunhando um fuzil Ernesto morreu cedo por falar o que pensava e pergunto: Se não o tivesse empunhado em tempos de guerra fria, será que conseguiria falar, se expressar como o fez?
Os comentários que li aqui o criticando negativamente são a maior prova de que o povo latino é conformista e acomodado, e enquanto for assim sempre serão escravos, ainda que se julguem livres.
Junio Wolf em 17 de outubro de 2009 às 15h01

dar a vida por ideais...quero ver quem faria isso...com certeza pessoas morreram...mas infelismente...tado guerra tem suas baixas...certo ou errado, Che não tutibeou em nenhum momento naquilo que ele queria pra si...e pra outros...mesmo com risco de ser incompreedido...
andre em 26 de outubro de 2009 às 01h31

Che Guevara não era corajoso.
Che Guevara não era violento.
Che Guevara não era assassino.
Che Guevara não era um herói.
Che Guevara era apenas um homem como deveriam ser todos os homens : JUSTO !
Os ideais de Che Guevara não morrerão jamais e o mundo um dia irá livrar-se do Império de Satã formado pelas ricas nações do hemisfério Norte que exploram os países pobres do hemisfério Sul. Che VIVE ! Viva o CHE !
Faça sua parte ! Basta um só gesto de cada um contra o Imperio do Mal !
Renato Imenes em 29 de outubro de 2009 às 19h19