hapiness is a warm gun: os mapas da qualidade de vida planetária

Publicado em outros por jr em 17 nov 2007 06:24 PM | 7 comentários

 Planeta Felicidade Bem Estar Subjectivo Qualidade Vida Hapiness Subjectiv Weel Being Map World Colour Coded HPI Adrian White NEF Planet Database

A subjectividade dos indicadores de qualidade de vida e dos critérios que presidem à sua escolha para elaborar um diagnóstico de situação da felicidade à escala planetária, produzem resultados assaz díspares, que são a prova provada da profunda subjectividade com que encaramos o que é realmente importante para a nossa felicidade e da facilidade com que, com algum engenho e arte, o tratamento e apresentação destes indicadores, privilegiando os critérios que melhor servem os propósitos de quem os manipula, pode influenciar a opinião pública.

Adrian G. White investigador em Psicologia da University of Leicester concebeu o Worl Map of Happiness cruzando um número significativo de dados e de estudos realizados por todo o mundo: a meta-análise realizada em 2006 para a NEF por Nic Marks, Andrew Simms, Sam Thompson e Saamah Abdallah, e os dados fornecidos pela UNESCO, UDR e CIA Factbook. White considerou no estudo 178 países, o dobro dos analisados por Ruut Veenhoven na World Database of Happiness e deu prioridade a critérios socioeconómicos como a esperança de vida, o acesso à educação e o PIB "per capita".

Não causa estranheza pois que com estes critérios figurem entre os dez primeiros países da lista seis da Europa Ocidental e desses seis quatro sejam países nórdicos reputados pelos sistemas de protecção social avançado que possuem: o primeiro lugar pertence à Dinamarca, seguida pela Suíça, Áustria, Islândia, Bahamas, Finlândia e Suécia, com o Butão e o Brunei a ocuparem respectivamente a 8ª e a 9ª posições, e os USA a aparecerem em 23º lugar. Portugal está situado no 92º lugar do ranking e o Brasil ocupa o 81º posto, encravado entre a China e o Uzebequistão.


 Planeta Felicidade Bem Estar Subjectivo Qualidade Vida Hapiness Subjectiv Weel Being Map World Colour Coded HPI Adrian White NEF Planet Database
Mapa Interactivo World Colour-Coded by HPI

A New Economics Foundation (NEF), um "think tank" britânico de reflexão sobre a economia e o bem-estar, e a ONG Friends of the Earth, produziram o World Colour-Coded HPI, baseado no Happy Planet Index (HPI) elaborado a partir de três parâmetros que privilegiam os países que exercem menor pressão sobre o ambiente: satisfação com a vida, esperança de vida e "pegada ecológica", que mede o impacto das actividades humanas sobre o ambiente e avalia a superfície de que a população do país necessita para produzir o que consome e absorver os resíduos que produz. Para este mapa foi considerada como fonte exclusiva a mesma meta-análise utilizada por White na elaboração do Worl Map of Happiness.

Considerados estes critérios é curioso notar que no topo da lista desta classificação se encontrem países como o Vanuatu, a Colômbia, Cuba, Guatemala e São Salvador, estando os países ricos relegados para a cauda da lista, com Portugal a surgir na 136ª posição e o Brasil no 63º lugar no ranking de 178 países.

Estes estudos e as suas implicações colocam em definitivo interrogações muito sérias à nossa conceptualização de desenvolvimento e qualidade de vida, longamente minada pela sociedade do espectáculo e do consumo, e ás consequentes opções que urge tomar à escala planetária para implementar uma política de desenvolvimento e distribuição de riqueza mais sustentada e mais equitativa, ainda que o direito individual à diferença, incluindo o inalienável direito de recusa da felicidade por quem a entenda rejeitar, tenha em absoluto que ser respeitado.

À Humanidade não resta mesmo outra hipótese que não seja a de alterar drástica e rapidamente o seu oneroso, inconsistente e insustentável modo de encarar a sua permanência sobre este planeta, caso pretenda prolongar no tempo a sua existência sem escaqueirar o único suporte físico que possui: o planeta.

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7 comentários

Interessante seria esse estudo combinar as informações mais completas de outros estudos sobre os países individualizados. Eu diria que no caso de Portugal a tendência não é favorável.

cadeiradopoder em 17 de novembro de 2007 às 20h01

Ainda ha dias, e por falar na subjectividade do que é importante para cada um, tive uma conversa curiosa com um rapaz marroquino que quer experimentar viver na Holanda (creio que tem uma namorada la), mas nao sabe se se vai dar bem "porque la nao ha liberdade, nao é como em Marrocos".
Calei-me um segundo, tentando localizar-me, e perguntei: "Liberdade para qu^e?".
"Liberdade, liberdade", continuou ele, "la nao é como aqui, que podemos estar sempre uns com os outros e ir de um sitio para outro, la é so trabalho todo o dia e depois acabou."
Ainda fiz alguns comentarios sobre a especificidade da Holanda, mas as respostas dele dao-me a ideia de que nem sabe, em termos de permissividade (que nao estou a confundir com liberdade) o que o espera. Disse apenas que consta que as mulheres europeias sao "muito dificeis".
(desculpem a falta de acentos).

tajana em 17 de novembro de 2007 às 21h12

Sempre me pergunto quem é mais feliz: se o motorista ou o patrão do motorista. Nunca variáveis sócio-econônomicas foram determinantes para dizer-se a respeito da felicidade, em minha opinião, em que pese ser necessária a avaliação.

Diz uma música dos Titãs:

“Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Índio, mulato, preto, branco
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes”

Riquezas são diferentes. Assim penso a respeito da felicidade.

Sandra Leite em 18 de novembro de 2007 às 02h18

Excluindo as básicas, fome, sede, saúde, enfim e por aí em diante. O Homem tem a capacidade de ser feliz com pouco, desde que o pouco seja assim considerado por todos, menos por ele. os adjectivos são sempre suspeitos de crime de farsa. O belo, para mim, pode ser o feio de alguém.
A riqueza de um individuo pode ser para mim, a pobreza.
enfim.
no dia em que faltar àgua, servirá o aviãozinho particular para alguma coisa?
o i-phone teletransporter xPTO de 589309230 milhões de músicas serão suficientes para encher
a alma de um povo sem ginga?

bruno em 18 de novembro de 2007 às 05h57

Felicidade é isso mesmo: algo ou alguém que nos faz tripar em dopamina e endorfinas.
A relação entre o prazer gerado e o objecto desse prazer é que é problemática, e ao ser simultâneamente ideológica, cultural, pessoal, contextual e motivacional, está decididamente muito longe de ser universal.
O que para uns é felicidade para outros é incómodo: uma enseada solarenga, dominada por escarpas abruptas, livre de turista e poluição é para mim uma das “quintas essências” da vida.
A mesma enseada (ainda) protegida pelos ditames de um Parque Nacional, pode ser, por exemplo, um espinho cravado na alma (de betão) de um qualquer construtor civil. Logo não lhe gerar prazer, logo não o fazer feliz.
A relação entre a felicidade individual e a felicidade colectiva é ainda mais complicada, e os conflitos que pode gerar com a liberdade quer individual quer colectiva foram, são e serão o que de mais complicado a Humanidade tem que gerir: a “felicidade” a qualquer preço.
Mas o que faz mesmo mexer o ponteiro e avançar o mundo não é o vil metal, são as utopias.
Por isso, meus caros, em Roma há que ser romano e realista: Exijamos o impossível! Já!

jr

jr em 18 de novembro de 2007 às 15h07

Acho bom o pão nosso de cada dia: " Por isso, meus caros, em Roma há que ser romano e realista: Exijamos o impossível! Já!"
Fico feliz com os impossíveis sempre!

Sandra Leite em 19 de novembro de 2007 às 09h57

Bastante hilária a tentativa de se definir o mundo com "quantitativos de felicidade" baseados em indices de desempenho econômicos, etc.
Vale pelo alerta do quanto se busca robotizar o ser humano....hehehe.

Ronaldo Araujo em 20 de novembro de 2007 às 11h21

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