
Quando se fala em fotografia erótica, publicitária ou em manipulações digitais, por exemplo, as opiniões divergem; a atribuição do carácter artístico não é pacífica. No entanto, para o fotógrafo americano David Field o disparo do obturador da câmara é apenas o início de um processo que continua no computador. E se o resultado é belíssimo já a sua qualificação é polémica: será artística?

A pós-edição de fotografias não é novidade. Desde as fotomontagens de Oscar Reijlander, em meados do século XIX, passando por Man Ray ou Dora Maar, até aos processos digitais da actualidade, os artistas/fotógrafos sempre procuraram transcender a simples imagem capturada pela objectiva e criar novas visões.
O mesmo se pode dizer das fotos de David Field, fruto de demorados e complicados processos de manipulação digital de imagem. Com efeito, Field é mestre no photoshop, o que não lhe retira o mérito como fotógrafo. Em 2005 foi finalista do Adobe Design Achievement Awards e, a partir daí, a notoriedade não tardou. Actualmente o seu trabalho é bastante requisitado e aparece regularmente em publicações de referência, mormente no mundo da publicidade e da moda.
Paradoxalmente não possui um único equipamento fotográfico - câmaras, lentes, flashes, etc. Prefere alugá-los. Em contrapartida não se poupa no que respeita a material informático, hardware e software. Talvez seja mais correcto afinal chamar-lhe, em vez de fotógrafo, ilustrador, apesar de trabalhar exclusivamente com fotografias. Quanto ao carácter artístico... Como se trata de fotografias publicitárias e outras afins, rejeito o adjectivo artístico e prefiro qualificá-lo quanto às suas características estéticas; excelente. Julguem-no.







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