Ecologia ou morte, já !?

Publicado em outros por jr em 1 nov 2007 12:26 PM | 11 comentários

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Ao que parece o Planeta, ou pelo menos uma parte dele, decidiu enveredar por uma consciência ecológica sem paralelo no passado de que há memória. Cidadãos anónimos e menos anónimos, dirigentes espirituais, comunitários e políticos afadigam-se e desmultiplicam-se em intenções e actos que deixam antever um futuro mais verde para o terceiro rochedo a contar do sol. Mas neste afã ecológico, nem tudo o que bole é pá de gerador eólico...

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O actual Presidente da China Hu Jintao encerrou o Congresso do Partido Comunista Chinês afirmando que "o ambiente é vital para a sobrevivência e desenvolvimento do país", o que vindo do Presidente da nação com maior índice de desenvolvimento do planeta soa que nem ginjas. Mas a China, recorde-se, está neste ciclo de crescimento a inaugurar em média uma central térmica a carvão por semana e cada uma delas produz tanta energia como todas as barragens juntas previstas para os próximos dez anos em Portugal, o que significa balúrdios de toneladas de CO2 lançado diariamente na atmosfera.

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Para a economia chinesa, o carvão é só quatro vezes mais importante, como fonte de energia, do que o petróleo e o gás natural somados. Curiosamente o Ocidente, que se revela profundamente preocupado com o poluente crescimento energético do Império do Meio, exporta, ou melhor, despeja convenientemente cerca de 70% do seu lixo electrónico para pequenas empresas chinesas de reciclagem, muitas vezes familiares e expressamente criadas para o efeito, afim de ser reciclado a custos da uva mijona. Acontece, porém, que o caos que reina nestas unidades é tanto que quem vive perto ou trabalha nestas empresas apresenta níveis de contaminação por dioxinas e furanos elevadíssimos, os quais são inclusivamente excretados no leite materno.

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Na América Latina, que promete varrer o mundo com o seu ciclone verde, a revolução do biocombustivel ameaça ser um tigre de papel com pés de barro: venha do milho americano ou do álcool brasileiro, as implicações económicas e sociais do boom serão imensas, com o eixo Bush-Lula a entrar em confronto directo com o eixo Chávez-Fidel-Morales, não só mas também numa disputa surda pela hegemonia energética.

Se o milho americano e mexicano for produzido em grande escala para fabricar etanol de milho e a vertente alimentar for deixada de lado, o desnorte e a fome tomarão conta de milhares de famílias mexicanas de parcos rendimentos, para quem a tortilha é a base da sua alimentação. No Brasil, e segundo a opinião de muitos especialistas de renome, a revolução do etanol que se avizinha poderá ameaçar irreversivelmente zonas de biodiversidade como o Pantanal e a Amazónia, com perspectivas consistentes de fome no país se as áreas de cultivo de cana forem ampliadas de tal forma que correspondam à procura.

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E que dizer do regime de semi-escravidão a que os trabalhadores dos canaviais ainda hoje estão submetidos? Para cortar a quota diária a que está sujeito, dez toneladas de cana, e receber os 9 euros do seu valor, cada trabalhador percorre a pé através do canavial cerca de 9 quilómetros e desfecha 73 mil golpes de podão em 30 mil flexões de pernas que se pagam em números/vida como os fornecidos pelo Ministério da Agricultura do Brasil: 450 trabalhadores mortos o ano passado no sector sucro-alcooleiro. Pudera!

Mas diante da perspectiva de ser o maior exportador de etanol do planeta quem quer saber de minudências? ". "É difícil criar uma consciência ecológica ampla, sabemos que sim. Mas isto é uma guerra que não podemos perder", diz José Saramago. Mas, e a qualquer preço ?, perguntamos nós.

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11 comentários

JR,

Brilhante!
Seu post é mais uma vez perfeito.
Confesso que fiquei com uma sensação de " e agora, José?".
Não vejo soluções de curto prazo, mas se nada fizermos.... Impressiona-me também a correlação entre meio-ambiente e pobreza e li um artigo do Mario Vargas Llosa, " o cheiro da Pobreza", publicado no El pais e na revista PIAUÍ com dados alarmantes. Pelo menos o tema meio-ambiente deixou de ser alvo de estudo apenas dos ecologistas. Quanto ao texto do Llosa, vale a pena.

Parabéns por mais esse post!
Já havia falado ao BJr e agora a você: sou literalmente dependente do Obvious:-)

bjs Brasilis

Sandra Leite em 1 de novembro de 2007 às 15h24

Sandra, não há ninguém na blogosfera que não saiba da sua "dependência" ;).

Mas, também concordo consigo: este blog é, sem dúvida, uma “droga” viciante. Eu venho cá todos os dias. Estou a ficar tão culta, tão culta (piu) que qualquer dia já ninguém me suporta. ;)

Só lamento é que o autor destes artigos não responda às questões que lhe colocamos. É esse o espírito de um blog ou não?


E para terminar em grande, senão não sou eu...LOL

Para mim o Jr é pago ao caracter, incluindo espaços, não recebendo nada quando comenta. Só assim se explica os motivos que o levam a ignorar os leitores dos seus artigos.

Dina em 2 de novembro de 2007 às 20h46

Deixo a correcção ortográphica e gramatical dos meus disparates a cargo do leitor...

:s

Bom fim-de-semana :)

Dina em 2 de novembro de 2007 às 20h51

Poxa, Dina, e eu que me achava tão discreta :P
Mas o Obvious merece que eu perca até minha suposta discrição :)
Sou e quem não é?;)
Sou apaixonada por Portugal e por todos portugueses...aiaiai!
Quanto ao JR não comentar, dá um toque João Gilberto nele....e ele que entende tanto de MPB entende o que eu falo. É puro charme, viu Dina? Ele escreve bem demais assim como o João é genial na música.
Assim eu o analiso...
Beijos a todos dessa nave lunática

Sandra Leite em 2 de novembro de 2007 às 21h10

Ena, ena! esta cena de receber aviso por mail é altamente...podemos comunicar quase em tempo real, o que é tão fixe! Como está aí o tempo, Sandra? ;)

Olhe eu tenho a mesma opinião, mas em relação aos brasileiros. Há deles que ui, ui,ui!

Quanto ao Jr, a malta daqui já percebeu que gosto de brincar e meter o bedelho em tudo...

Um dia destes arrisco-me a ser banida, mas pronto :[

Dina em 2 de novembro de 2007 às 21h24

Estás a gostar, Dina? Estamos aqui para vos servir...
Quanto ao nosso precioso colaborador JR, confirmamos que não dispomos de verbas para lhe pagar as horas extraordinárias e, por essa razão, não comenta.

seven em 2 de novembro de 2007 às 23h10

Sandra, não li ainda o artigo do Vargas Llosa, de quem eu gosto particularmente, mas vou ler com toda a certeza.
Sim Dina. É esse o espírito do obvious.
Sim. Sou pago ao caracter, estou abazurdidinho de trabalho e sou explorado até ao tutano por estes iconoclastas...
Assalariado com pré de miséria, é o que é :-)

jr

jr em 2 de novembro de 2007 às 23h28

JR,

Mandei esse artigo para email do Obvious. Adoro Llosa.
Dina, o tempo em São Paulo? Tivemos quase as 4 gerações nesse dia...E a noite promete agradável, apesar da chuva ...
Vem nos visitar quando?;)
Agora indo para a balada...see you!

Sandra Leite em 3 de novembro de 2007 às 00h24

Onde escrevi gerações , leia-se ESTAÇÕES:D
Acho que já é excesso de 43....

Sandra Leite em 3 de novembro de 2007 às 00h29

Não há ninguém que resista a um bom “jogo de cintura” LOL. Aprendam, meninas, aprendam! Demonstrei-vos, por “redução ao absurdo”, que o sujeito não só existe como trabalha. Uma raridade nos tempos que correm...
;)
Está muito melhor, Seven. :)

Ainda que por coacção, agradeço a atenção, Jr. ;)

Dina em 3 de novembro de 2007 às 17h33

Sobre o aumento do plantio de cana no brasil o seu comentário foi muito infeliz quando disse que o crescimento ameaça o Pantanal e Amazônia. Segundo uma pesquisa feita recentemente pela unicamp, o Brasil tem disponível 90 milhões de hectares para o plantio de cana. Nesses hectares não foram contados zonas de biodivesidade e nem áreas onde é feito outro tipo de cultivo, seja de grãos ou farelos.

Leone Albuquerque em 9 de maio de 2008 às 19h28

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
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