concurso miss "minas terrestres" em angola

Resultante de vários anos de conflito, Angola é dos países mais minados do mundo, com cerca de seis milhões de minas ainda por detonar. Estes engenhos matam mais de 10 pessoas por dia e mutilaram já cerca de 70.000 cidadãos, impedindo todo um povo de recomeçar a sua vida com normalidade. Para apoiar estas vítimas o artista Norueguês Morten Traavik surge com um concurso de beleza.
Morten Traavik visitou diversos centros de reabilitação no passado mês de Fevereiro, procurando candidatas a Miss Landmine sob o slogan "Todos temos direito a ser belos". Traavik chama ao projecto uma mistura de arte e missão humanitária recebendo já um subsídio avultado do Conselho de Arte norueguês.
No manifesto de imprensa, Morten Traavik chama atenção para diversos objectivos desta iniciativa, nomeadamente a chamada de atenção local e global para o problema das minas terrestres, questionar os conceitos pré-estabelecidos de perfeição física, celebrar a beleza verdadeira e substituir o termo "vítima" por "sobrevivente".
Vários bloggers já se manifestaram sobre o assunto, acusando Traavik de explorar as mulheres africanas de uma forma repulsiva. Alguns disseram ainda que o dinheiro angariado para o concurso poderia ter sido utilizado de outra forma, fornecendo benefícios que permitissem alguma qualidade de vida e autonomia às vítimas.
Independentemente dos objectivos da iniciativa, não sei até que ponto serão essas as verdadeiras intenções dos organizadores. Infelizmente, mais vezes do que desejado, apoiam-se causas nobres de forte impacto social somente para fins de auto promoção. Correndo o risco de ser injusto, parece-me que esta é mais uma.



Mais informações no site do concurso, cuja introdução muito pouco própria, abre com um trecho da Zarathustra de Strauss. Será isto uma odisseia?
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7 comentários
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Deixei este comentário no quintus, vou repetir-me mas o assunto é o mesmo, ou terá a mesma origem.
É sobre um país irmão de Angola, S.tomé e Príncipe.
"Nasci no terceiro mundo!
Em S.tomé numa ilhota inexpressiva, mero pontinho no mapa mundis, onde aliás só se lê o nome, isto se se prestar muita atenção, claro!
Nunca ouvi falar de violência, exceptuando dois ou 3 casos isolados que, de resto, fazem parte da história do arquipélago.
E, claro está, um dos episódios é relatado no Equador, um suicídio (acho que conta como violência, não?).
Bom adiante. Saí de lá com tenros 9 anos, e voltei com 13 anos, para encontrar ainda um lugar de paz, praia e fome zero.
há 4 anos atrás, regressei lá cheio de expectativas, não pisava o solo, que vira nascer, há uns 12 anos. Levei dois apêndices, dois amigos para ser mais específico, e por pouco não voltava de lá sozinho, ou encaixotado juntamente com eles.
Passei por um episódio de violência, fruto de uma tentativa de golpe de estado. (partiram-me o vidro do carro com uma pedrada, fiquei no meio de gente que corria louca e que pelos vistos estava tão assustada quanto nós)
Nigerianos(não que eu tenha alguma coisa ocntra o país ou o povo, atenção), inundaram a ilha, em busca de casamento e da possibilidade de aumentar as suas cotas petrolíferas.
o quê?
esqueci-me de mencionar antes o facto de S.Tomé ter petróleo?
pois é, agora já pode ser explorado, já existe tecnologia, dizem.
enquanto isso o cantinho vai-se tornando um lugar hostil, e tornando as pessoas cada vez mais apáticas e mais expectantes sobre os frutos do ouro negro.
A moeda local, a dobra, por mais que se desdobre só inflaciona. Andar com uns trocos no bolso é levar milhões. atenção que 30.000 dobras compram um maço de cigarros, sensivelmente o mesmo preço de Portugal. (não existe índice mac donalds, ainda)
obviamente os americanos já por lá andam há uns tempos, motivo? a sede da voice of america, por ser um ponto geo-estratégico, dizem.
já se encontra droga nas ruas, e existe prostituição.
enfim.
continuo a amar aquela terra, mas fico cada vez mais triste quando me lembro que aquilo agora é um país rico e não o rico país de sempre, onde se seguia sempre Leve Leve.
pelo resto do continente a história repete-se um pouco por toda a parte, à conta do petróleo, dos diamantes e das fortunas que meia dúzia acumula no velho continente.
gastar em África? para quê? vamos extrair tudo e quando não houver mais nada, tornam-se novamente escravos, endividamo-los, perdoamos-lhes as dividas a troco de meia dúzia de milhões em diamantes, vendemos-lhes as armas velhas e inventamos guerras para que nos continuem a comprar, ah, e a matar-se porque são muitos.
tristeza! é o mundo em que vivemos.
não escrevo mais porque isto torna-se pessoal, e quando assim é turvam-nos as ideais.
entenda mais como um desabafo. (e perdão por usar assim o seu espaço)
abraços."
Ah! sim, é de louvar que atitudes dessas sejam levadas a cabo num país de onde ainda há tanto por roubar... por explorar, surripiar e todos os demais sinónimos para a desgraça que se imputa a África.
(aquela coisa grande, antiga, conhecida por continente, cheia de países e não apenas um país ou uma entidade abstrata a que fica bem dizer-se que se perdoou uma dívida de não sei quantos milhões)
bruno em 20 de novembro de 2007 às 18h26

Pelo menos fala-se, alerta-se, choca-se!
Se calhar o que está a faltar é acordar...
Caro Bruno (companheiro de comentário) contra mim falo, por vezes tb sou "excelente" a fazer diagnósticos, mas na maior parte das vezes demito-me da acção ou neste caso de resistir!
Janus em 20 de novembro de 2007 às 19h03

As minas são uma chaga sangrenta na moral da humanidade. Armas covardes e baratas, infestam países como uma praga mortal e silenciosa que não vê amigos ou inimigos. Uma triste realidade e um triste retrato da imbecilidade humana.
Arthurius Maximus em 21 de novembro de 2007 às 10h02

Bruno: Foi como disse... quero acreditar que as intenções sejam as melhores.
Arthurius: Um reflexo da humanidade e, infelizmente, uma triste realidade.
bjr em 21 de novembro de 2007 às 12h19

Janus: Normalmente achamos que alguém estará a fazer qualquer coisa, e isso demite-nos de muitas acções que poderíamos fazer...
bjr em 21 de novembro de 2007 às 12h34

bjr: Pode crer que sim. Amo S.tomé. É a minha terra natal. Tenho lá família. É uma raiz que anda comigo para todo o lado que me faz encarar àfrica, muitas vezes, com revolta...
bruno em 22 de novembro de 2007 às 03h43

Sou apaixonado pela Angola
Tenho uma missão para cumorir na Angola e por isso tenho esse amor pelos nossos irmãos Angolanos.Tanto sofreram pelos de fora e seus patricios também,causando assim muitas dores aos pais mães e filhos com perdas irrecuperáveis de seus queridos por morte ou por perda de parte de seus membros,perna,mãos etc.Assim sendo é louvavel a atitude de fazer essa "mis minas terrestres em Angola",para chamar a atenção do mundo para a realidade,pois quem promove a guerra não quer saber quem se machuca ou não.Dizem o que importa é a causa por que se combate,pura versão enganosa para quem acredita ser verdade.Pessoas leigas são enganadas para combater por terras ouro dinheiro,pedras preciosas petróleo e muito mais como por posições se fossemos dizer tem tanto o que expor mas ficamos por aqui.
Está missão que tenho que fazer é muito árdua pois sair de um país que igual ao meu onde tenho tudo a mão vou ali na esquina e encontro tudo o que quero sem se preocupar com minas ou se encontro pois tem tudo como já disse.Mas vou deixar tudo isso e ir a este país que tanto mexe comigo espero receber o apoio de muitos "Amigos da Angola".Me mandem emails para que me sinta melhor.Quero apoio se quisem me ajudar o email é fogacate@terra.com.br podem divulgar este email para quem tem no coração o desejo de ajudar um país a ir para frente ajudando de alguma forma seja político,religioso,econômico,financeiro.
Este MISS MINAS TERRESTRES FOI BEM ELABORADO E POR ISSO MERECE MEUS PARABÉNS.
" AOS CRÍTICOS DIGO CONTINUE FAZENDO SUA CRÍTICAS POIS NOS AJUDARÃO A MELHORAR NAQUILO QUE NÓS PODEMOS MELHORAR ISSO É UM ATO NORMAL EM CADA SER HUMANO"
fogaça em 29 de maio de 2008 às 15h49
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