Nova Iorque nua, por Weegee

Publicado em fotografia por seven em 5 nov 2007 12:23 PM | 5 comentários

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

Weegee, aliás Arthur Fellig, era um tipo estranho. Tinha um aspecto desmazelado e ao mesmo tempo extravagante. Vivia de noite, tendo por casa o automóvel. Era lá que fazia quase toda a sua vida, inclusivamente dormir. No rádio sintonizava as comunicações da polícia e quando ouvia relatos de algum desastre ou crime metia-se logo a caminho para o local. Quase sempre era o primeiro a chegar e, por isso, a suas fotografias se tornaram únicas. De regresso ao automóvel sentava-se na bagageira a escrever à máquina. Dizem que era também lá que revelava as fotografias.

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

A sua ferramenta de trabalho, para além do inseparável automóvel, era uma Speed Graphic, a câmara mais famosa entre os fotojornalistas americanos. Com ela percorreu as ruas novaiorquinas nos anos que sucederam à Lei Seca, as décadas de 30' e 40', captando desapiedadamente o lado negro e marginal da cidade que nunca dorme. Weegee foi o fotógrafo de Nova Iorque.

Negras eram também as suas fotografias, de um negro absoluto, algo fantasmagóricas e fortemente contrastadas, resultado de uma opção estética deliberada (recorria ao flash mesmo de dia). Possuía um forte sentido estético e cenográfico. As suas imagens não eram neutras ou inocentes; eram agressivas, chocantes, cáusticas, sarcásticas, por vezes, e tinham uma forte carga simbólica. Weegee sabia o que queria.

Durante dez anos assim viveu e fotografou este fotojornalista. Depois partiu para outros voos. Em 1946 publicou o livro Naked City, onde deu a ver ao público as imagens nuas e cruas que captou nessa década e que esculpiram definitivamente a sua fama.

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

 Fotografia Weegee Crimes Desastres Nova Iorque Arthur Fellig

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5 comentários

Acho o máximo essas revelações do LADO B de qualquer coisa.
NY sem luz é estranha.
Porque a luz de NY ofusca o LADO B da cidade, tornando-a irrestível.
É outra cidade, portanto.

beijos daqui

Sandra Leite em 5 de novembro de 2007 às 13h13

As fotografias são irresistíveis, Sandra...

seven em 5 de novembro de 2007 às 22h35

Eu tenho curiosidade sobre algo em relação ao Obvious.

Onde é que vocês desencantam tantas e tão boas fotos?

E quanto à licença, vejo aqui que há uma nota a indicar Todos os Direitos Reservados. Mesmo das imagens? Não as posso copiar? Vocês adquirem direitos para cada uma das fotos que usam?

Sérgio em 17 de fevereiro de 2008 às 23h02

Onde as desencantamos? Bom, de várias formas. Em primeiro lugar é necessário conhecer um pouco da história da fotografia; alguns conhecimentos provém por via directa e outros por via indirecta. Com base nisso é fácil encontrar as imagens na net ou em livros.
Algumas das imagens possuem de facto direitos mas essa referência aplica-se sobretudo aos textos, que são todos originais.
Esperamos tê-lo esclarecido, Sérgio. Volte ao obvious sempre que quiser.

seven em 17 de fevereiro de 2008 às 23h11

Obrigado.

Sérgio em 17 de fevereiro de 2008 às 23h16

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
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