
Quem nega o estatuto artístico a Stonehenge, ao Parténon, a Chartres, a Ronchamp ou à catedral de Brasília? Existe uma intimidade entre Arquitectura e Religião, uma relação de mútua inspiração e valorização, quase simbiose, que no passado sempre se revelou frutífera e ainda hoje o é.
Esta relação é intemporal. Atravessou toda a História e resistiu incólume ao impacto dos tempos modernos. Ao lado das arquitecturas industriais, das máquinas de habitar funcionalistas e dos modelos internacionais os edifícios religiosos modernos seus contemporâneos são, apesar de tudo, distintos. Contrariamente à arquitectura secular, a dimensão mística parece introduzir na arquitectura religiosa o elemento chave que a aproxima inexoravelmente da Arte, talvez por possuir um significado que se encontra ausente na produção arquitectural comum. A edificação de um qualquer edifício religioso é uma oportunidade para se questionar e reinventar a arquitectura; deve, por isso, ser alvo de especial atenção.
A igreja de Viikki, construída recentemente, é um bom exemplo disso. Localizada junto ao campus da Universidade de Helsínquia, no lado oriental da cidade, integra-se num plano mais vasto de desenho urbano. É interessante o modo como o projecto foi abordado desde o início, com o convite feito pela paróquia de Helsínquia ao atelier de arquitectura JKMM que viu nele uma oportunidade para desenvolver e qualificar uma área urbana com capacidade de alojar cerca de 13000 pessoas.
É preciso dizer que é comum na Escandinávia as igrejas servirem também como espaços cívicos, além de religiosos, congregando toda a comunidade em seu redor; não obstante, as características sacras dos edifícios mantêm-se. E assim se fez na igreja de Viikki, que se abre em amplas janelas e superfícies de madeira à paisagem e à cidade. A luz zenital, o altar e a cruz lembram-nos a sacralidade do espaço. O resto é apenas design - bom, por sinal.






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