healthtech: micro-reservatórios de saúde

Esquece-se com frequência de tomar os seus medicamentos a tempo e horas? Necessita fazer repetidamente medicação sob a forma injectável? Padece de Diabetes Mellitus e é, ou prevê-se que possa vir a ser, dependente de insulina? Se a sua resposta é afirmativa então este post é-lhe especialmente dedicado.
Cenários semelhantes aos vividos nos Departamento Médicos das sucessivas séries da saga Star Trek podem, num futuro não muito distante, vir em parte a extravasar da ficção para a realidade e transformar a face da Medicina tal como hoje a conhecemos. Os avanços tecnológicos em geral e a nanotecnologia em particular, abriram à vastíssima ciência médica caminhos antes sinuosos e longínquos, mas que a cada dia que passa se prefiguram como cenários exequíveis, com a realidade a superar muitas vezes as expectativas mais optimistas.
Exemplo flagrante desses cenários é a tecnologia que a empresa MicroCHIPS, de Bedford, MA, tem para oferecer num futuro muito próximo: micro-reservatórios que podem ser carregados com medicamentos, incorporados em microchips a serem implantados no corpo do paciente e programados para administrar os medicamentos de forma temporizada ou eventualmente controlada por sinais de rádio, cuja fabricação constitui o core tecnológico da empresa.

O controle da libertação das drogas contidas nos reservatórios por sensores implantados no corpo humano que possam, por exemplo, medir o nível glicémico do paciente está também nos horizontes da empresa que prevê miniaturizar e estabilizar a tecnologia num período máximo de cinco anos, tornando-a exequível em alvos terapêuticos diversificados e produzir de forma massiva estes instrumentos.
Inicialmente concebida para substituir a administração de medicamentos menos eficazes quando tomados por via oral, as perspectivas que esta tecnologia abre à Medicina são gigantescas, podendo vir a constituir a via de eleição para a administração não somente de insulina como também das chamadas drogas do futuro: as “drogas inteligentes” ou “molecularly targeted drugs”.
Esta nova abordagem de design de medicamentos, que assenta na manipulação molecular de drogas já existentes e/ou na concepção de raiz de novas drogas que permitam atingir de forma ultra selectiva estruturas celulares ou percursores bioquímicos que se sabem ser responsáveis por determinadas patologias, nomeadamente algumas patologias cancerosas, é claramente o futuro da Medicina. Associadas, estas abordagens de “biosensing” - o diagnóstico assente nos microarrays que já nestas páginas referimos, as “drogas inteligentes”, os microchips medicinais e outras novas formas inovadoras de terapêutica, como as decorrentes da tecnologia do BST-Gel produzido pela Biosyntech, que já se alinham no horizonte clínico - prometem alterar radicalmente a forma como hoje abordamos o diagnóstico e a terapêutica das patologias e consequentemente a saúde e a doença e abrir novas perspectivas bem mais animadoras para a Humanidade.
We say, let it chip...
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7 comentários
Estamos perante um bom exemplo do potencial da investigação aplicada e consequente aplicação tecnologica a produtos desejaveis pelo mercado, ou seja, que satisfaçam de facto necessidades criticas e reais!
Cumprimentos
Blog Inovação & Marketing
Bruno Silva em 6 de dezembro de 2007 às 23h36
Bom artigo.
Ma com uma enorme falha, não sei de por causa da profissão de quem o fez, ou por optimismo pessoal.
Os perigos que advém desta tecnologia em termos de privacidade e defesa de sigilo de situações pessoais são imensos.
O que eu quero dizer com isto é que a situação descrita no post não são só vantagens.
A informação que se retirará acerca de um qualquer paciente e das suas debilidades tem valor para terceiros) ex: companhias de seguros).
O post deveria - também - apontar esses perigos.
dissidentex em 7 de dezembro de 2007 às 14h03
Infelizmente, meu caro Dissidentex, creio que tem razão. Não sei se o JR irá acrescentar isso ao artigo ou não mas de qualquer modo fica aqui registado o seu comentário. Obrigado e volte sempre.
seven em 7 de dezembro de 2007 às 22h55
Caro Dissidentex
Partilho obviamente consigo as preocupações realistas, leia-se certezas, quanto aos danos resultantes de uma apropriação indevida dos dados pessoais dos cidadãos pelos muitos tentáculos do poder.
Considero porém que os benefícios resultantes da aplicação à medicina da tecnologia em questão, os microarrays, e de outras de calibre semelhante, não deve, não pode, por razões óbvias ser travada de forma alguma por esse facto.
A gestão do conhecimento e das suas relações com quem no momento dele se quer apropriar em benefício da perpetuação do domínio do homem pelo homem foi, é e continuará a ser uma questão transversal ao desenvolvimento da Humanidade.
O comum dos mortais ficaria concerteza espantado ao vislumbrar o nível de conhecimento do cidadão e o nível de manipulação dessa informação que hoje públicos e privados detêm e fazem uso em provento próprio, e das formas mais ou menos tortuosas como obtêm e manipulam esse conhecimento.
O aproveitamento de tecnologias como esta é o equivalente a uma intervenção dos Meninos do Coro no permanente concerto orwelliano a que vimos assistindo.
Os desígnios do poder são claramente muito mais vastos e têm como único objectivo a sua própria perpetuação enquanto instrumento do capital.
Remetemo-nos voluntariamente para as trevas científicas para desacelerar esta conjura é jogar no terreno do inimigo com as suas próprias armas.
Ceder à paranóia e “abdicar da ciência” porque ela pode (vai) ser utilizada de forma indevida pelo poder pode ser uma opção, mas uma opção claramente menos “iluminada” que a opção de abdicar do poder como hoje o conhecemos.
“O que faz falta é avisar a malta”, claro. Mas não é suficiente: a malta tem memória curta, desculpabiliza o que não conhece e quando conhece desculpabiliza da mesma forma: o coração da malta tende a perdoar o que a mão cega, se fosse lesta, depressa executaria.
Criar “mecanismos de controle” controlados por quem pretende controlar seria perverso e ingenuamente inútil, e recorrer a “incorruptíveis” seria ainda mais perverso pela veleidade naif de subestimarmos o apelo do poder a quem o exerce.
Portanto o que nos resta então excluindo a tentação de ceder à paranóia e encafuar-mo-nos voluntariamente no bunker do “faz de conta que não estou nem aí”?
Um abraço
jr
jr em 8 de dezembro de 2007 às 10h49
Caros Br e Jr, especialmente o ultimo:
atenção que eu não estava a dizer que se deveria abdicar da ciência.
Embora reste saber até que ponto não estaremos a começarem quanto cidadãos a ter que "fugir " de algumas partes da ciencia por razões de privacidade.
O que eu quis fundamentalmente dizer era que o post deveria apontar os dois lados e com mais ênfase o lado do assalto à privacidade , , tentando mostrar o positivo e o negativo das coisas- do assunto , ou seja, que não são só vantagens.
Para isso sugiro, mais uns dois posts sobre o mesmoassunto mas postos de outro angulo de análise.
Por exemplo focar a situação, possível eassível de acontecer em que alguém ou alguma coisa criasse uma molecularly targeted drug com intenções hostis ou com chips de controlo embebidos na mesma, e que daí retirasse informação.
Ou por exemplo focar a eventual alteração genética que pudesse surgir derivada do uso constante destas drogas na humanidade- um perigo que pode acontecer.
Ou seja, o tema ser explorado em vários ângulos e numa série de postes vossos, explicando benefícios e perigos.
Fica o desafio - difícil de fazer, mas fica ao desafio...
dissidentex em 8 de dezembro de 2007 às 23h02
Proposta interessante, meu caro Dissidentex. Jr: pensas nisso?
seven em 9 de dezembro de 2007 às 00h57
gondim_86 em 15 de dezembro de 2007 às 01h10
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