o fim da televisão como a conhecemos

Publicado em tecnologia por lsoares em 20 dez 2007 06:22 PM | 7 comentários

 Futuro Televisao YouTube Internet Evolucao Web 2.0 Tv

Noutro dia, embalado pelo aquecimento central e o ritmo modorrento de uma tarde de domingo, adormeci e sonhei que a greve dos argumentistas americanos não ia acabar nunca. Nem foi um mau sonho, mas para aqueles senhores que mandam na indústria do entretenimento, acho que seria mais um pesadelo.

Primeiro que tudo um “disclaimer”: eu trabalho naquela zona nebulosa, frequentemente envolta num nevoeiro espesso, em que a Internet e a Televisão se andam a intersectar (as descaradas). Passo os dias às apalpadelas a tentar descobrir que rumo tomar e por isso é natural que acabe a sonhar com isso. Este não é, por isso, um post inocente, mas sim um post de “mãos na massa”.

É por isso que gosto de falar de Web 2.0, do poder da comunidade, da forma como qualquer pessoa hoje em dia faz um filme qualquer, mesmo que na verdade não seja um filme (muito menos cinema), mas apenas um ficheiro de vídeo de 320x240 pixels repetindo e desmultiplicando os milhões de lugares comuns que já circulam na rede. Quando acho que este “modelo” é uma coisa com o mínimo de interesse, pouco me interessa a greve dos argumentistas, não é por isso que nos falta entretenimento.

Noutras alturas do dia, contudo (mais pela noite, geralmente), sou autor de escritos variados e acredito que a criação é a coisa mais egoísta, pessoal e íntima do mundo e que só alguns conseguem ter o inchaço de ego suficiente para ultrapassar a timidez de revelar um mundo interior. Menos ainda o fazem com qualidade, por isso aplicar o modelo 2.0 ao entretenimento é um suicídio e devíamos deixar a televisão nas mãos de quem sabe: os tais argumentistas em greve.

É aqui que entra o sonho. Imaginem que os argumentistas se fartavam de negociar para resolver a questão da greve e decidiam migrar em massa para a Net... Escreveriam ficção original, o melhor humor, os dramas mais humanos e os silêncios mais perturbadores. Mas ignorariam as cadeias de televisão, os produtores de DVDs, os serviços de Video On Demand, os operadores móveis e os seus irritantes ringtones. E encontrariam quem lhes filmasse as histórias. Ou eles próprios pegariam em “armas digitais” e fariam em imagem as suas palavras.

As pessoas que ainda vêm televisão seguiriam o aroma de uma boa história para a Internet. A Internet deixaria de ser o reino do vídeo-do-gatinho-bonito-a-roçar-se-no-bebé ou da gaja-burra-no-concurso-de-tv. E quem sabe mesmo, algures as histórias poderiam verdadeiramente ser multimédia, libertar-se do 16/9 ou do 4/3 e viver em blogs, perfis, sítios obscuros e antros de popularidade.

Devo acreditar neste sonho?

Lsoares AvatarLuis Soares é escritor e colabora com o obvious. Mais informações e textos deste autor no seu blog pessoal: blog.luis.soares
 
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7 comentários

Obrigada pelo comentário!

Espero que tenhas apreciado o conceito, parece que sim a ver pelo Post.
Neste momento, penso que a Internet já se tornou um meio por si só, tão poderoso que devemos começar a encarar de forma séria a transformação. Essa transformação passa sim para aproveitar o que a Internet tem de melhor, e aproveitar o seu poder. Sim, seria maravilhoso que os argumentistas fizessem mesmo o que tu sonhaste, porque sairam a lucrar.

A julgar pelo sucesso de alguns magnificos blogs, de projectos como a LonelyGirl15, sim! A internet por dar "a" visibilidade deve ser tida em consideração.

Adorarias de certeza a assistir às aulas do nosso Mestrado, mas continua a visitar o blog!

Obrigada e parabéns pelo blog!

M^^ em 20 de dezembro de 2007 às 18h40

Sim .. claro que deves acreditar no sonho ... já faltou muito mais

José Formiga em 20 de dezembro de 2007 às 19h38

Agora parecias o Martin Luther King :P

seven em 20 de dezembro de 2007 às 23h48

De toda a equipa da Pensão Viseu, para toda a equipa do Obvious, um Natal cheio de Paz e um próspero Ano Novo.

recepcionista em 21 de dezembro de 2007 às 09h16

Eu adoro televisão... acho que não trocaria não.

Desejo a vcs todos do Obvius um Natal abençoado e um Ano Novo iluminado.

Beijos

Erika em 21 de dezembro de 2007 às 09h30

Também tenho a certeza que há aí muito cientista americano a querer comparar a Televisão com a Internet naquilo que realmente importa! Alguns exemplos: ficamos mais gordos aterrados em frente a que ecrã? temos mais vontade de fazer filhos com ou sem youtube? e este Natal, vai passar a Música no Coração na TV? Ah, desculpem, era A Noviça Rebelde que eu queria dizer...

Agora mais a sério. Estamos num momento de revolução importante e interessante, mas como dizia o outro... prognósticos só no fim do jogo.

Luis Soares em 21 de dezembro de 2007 às 14h45

Eu também adoro televisão, e acho que tudo deveria se integrar a ela, pois ela é o centro da minha casa. Onde todos se ligam pelo menos alguns minutos por dia. E seria uma maravilha se tudo se conectasse a ela sem complicações.

Meu blog: http://design.blogprofissional.com.br

Willian em 27 de dezembro de 2007 às 14h34

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
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