O que é a Geração Y?

O livro “Geração X” de Douglas Coupland marcou-me quando o li e levou-me a ler compulsivamente a maior parte das obras do autor. Embora situado noutro universo social e cultural, a vida e as preocupações das personagens eram as minhas e diziam-me muito. Descubro agora que existe já uma Geração Y e tento descobrir se, discretamente, consigo chegar lá.
Primeiro que tudo acho assustadora a escolha de letras. O facto de já irmos na Geração Y quer dizer que o fim do mundo se aproxima? Vamos dar a volta por cima (ou por baixo) e teremos uma nova Geração A? Não sei. Sei que os estudiosos do mercado definem a Geração Y como tendo entre 18 e 27 anos, com três características principais: estão continuamente ligados; falam a sua própria língua; são influenciados pelos seus pares. (Acho que há esperança para mim).
Mais uma nota, que não é de rodapé: a Geração X foi descrita por um escritor e definida com subtileza pelas suas palavras, uma história, um conjunto de personagens. A Geração Y é definida pelo pessoal do Marketing. E é um sonho para o marketing. Estão sempre ligados, o que quer dizer que estão susceptíveis a ser permanentemente bombardeados por mensagens. Emocionalmente são inseguros, em busca permanente de reconhecimento e fama, emocionalmente numa adolescência perene que um dia lhes há-de formar a personalidade (mesmo que seja à base de iPods).
Num segundo nível, a coisa é mais complexa. A sua atenção é mais difícil de agarrar, aborrecem-se com facilidade, exigem imediatismo e a mudança está à distância de um clique. Agora estão aqui. Daqui a um segundo já não. A sua linguagem é difícil de imitar e exige uma pertença difícil para quem está de fora, é muitas vezes dominada por um nonsense e por uma rede de referências culturais que se espalha como um fogo na savana.
Num terceiro nível, a coisa piora definitivamente para o pessoal do Marketing. A Geração Y tem opinião. Pior que isso, tem muitas opiniões. E muda muito de opiniões. É fiel à opinião dos amigos e pouco fiel às marcas. Hoje é Nike, amanhã é Adidas, depois é Element e para a semana Carhartt. As suas tribos estão em constante mutação e interacção: Emos, Gamers, Punks, Alternativos, já nem sei quantos são... E ainda por cima... são criativos. Não criativos de uma maneira ordenada e fácil de compreender, mas numa lógica de nonsense sem limites.
Este é o público de parte significativa da Internet. Em Portugal e no Brasil como no resto do mundo. Repararam como comecei a escrever frases curtas? É para não vos aborrecer. Paz.

Luis Soares é escritor e colabora com o obvious. Mais informações e textos deste autor no seu blog pessoal:
blog.luis.soares
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23 comentários
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Como muita coisa do mundo actual isso é um mito. A minha filha tem essa idade e não é assim; não é por isso que é uma aberração da Natureza e deixa de ter amigos - muito pelo contrário.
Apontas e bem que essa tal "geração Y" foi criada pelo marketing. É um mito, portanto. É como essa treta dos "jovens". Sempre existiram. É apenas uma categoria cómoda para arrumar as pessoas. E para lhes impingir consumíveis de carregar pela boca. Eles têm opinião e mudam? O marketing também. Adaptam-se. Cria-se a necessidade e depois vende-se. Artificialmente, claro. É terrorismo. Nem mais.
Mania de escrever assim. Vou mas é bazar. Inté.
seven em 14 de dezembro de 2007 às 22h29
Na tentativa de compreender o que se passa, colocamos nomes e classificamos...e julgamos. Tem mesmo uma nova geração. Um jeito difererente de agir. Penso que ninguém possui a chave das respostas certas. O ser humano tem desafios a serem enfrentados. Precisa aprender,ou reaprender a dialogar. Que é qundo vc reconhece a presença do outro e a possiblilidade de mudanças e melhor interação.
Seja bem vindo!
Valeu!
Anna em 15 de dezembro de 2007 às 10h46
Sempre teve uma nova geração, Anna. Esta é apenas mais uma. Isso do "conflito entre gerações" também é uma treta. O que existe é apenas dificuldade de diálogo entre as pessoas.
seven em 15 de dezembro de 2007 às 10h52
Levei um susto ao saber que me encaixo nessa tal geração Y.
Me interessei pelo artigo pensando em minha prima que acaba de fazer 14 anos e é tão difícil de compreender sua linguagem e "mundo".
Se nós de 18 a 27 anos somos tão estranhos, pense essas criaturas de 14 anos, que já saem para beber, estão totalmente e muito mais plugados q nós, sua linguagem é muito mais incompreensível que a nossa (pq mal sabem escrever o português correto e vão criando um novo)e tudo é muito pior ou mais estranho, sei lá.
Eles são os novos de vinte e nós os de 30, é assim que me sinto perto dela pelo menos.
Acredito que sempre haverá gerações x, y, z, w e por ai vai.
Cada uma mais complexa e com suas peculiareidades.
Então (isso não é uma crítica), preocupem-se com com essa geração ainda não denominada, mas a qual minha prima faz parte.
P.S.: tenho 21 anos
Cintilanti em 15 de dezembro de 2007 às 11h11
Desde o século passado começámos a herdar, sobretudo dos ingleses e americanos, o hábito de dar nomes a tudo, não é? Ddeve ser para ver se não ficamos de mãos vazias. Generation gap deve ter surgido para aí nos anos 60, imagino. Como já não temos territórios para descobrir, damos nomes giros, novos, aos que já tinhamos. Dantes, era-se dos escuteiros ou do grupo da catequese ou daquela gente esquisita que vivia ao pé da mata. Agora, é-se de gerações, ou de tribos (já que acabámos com as verdadeiras tribos). Embora eu concorde que há agora uns fenómenos cuja abrangência se forma de uma maneira diferente daquela que existia (noemadamente pela TV, net, e o all-mighty-marketing).
tajana em 15 de dezembro de 2007 às 11h24
Oi Seven:
Então, gostei do jeito do Luis escrever. Tentei comentar no blog dele e não consegui. Diga a ele se tiver interessado em trocar opiniões e comentar no Blog Linha, será um prazer. O último post foi sobre o Amor... O anterior, foi sobre Diálogo. E se vc quiser contar sua história, lá Seven vou adorar.
Abraço.
Anna em 15 de dezembro de 2007 às 11h25
Ou da tribo dos bigodes :)
seven em 15 de dezembro de 2007 às 11h29
Eu sou da Geração H (a da Heidi).
tajana em 15 de dezembro de 2007 às 12h23
Anna: obrigado pelo convite; tentarei lá passar. Vou dar o seu recado ao Luis.
Cintilanti: como vê isso são só categorias artificiais. Tem 21 anos mas não me parece encaixar nos alegados padrões da tal geração. Obrigado pelo seu comentário e volte sempre.
Tajana: ainda és muito chavala, tás a ver? Eu cá sou da geração F, a do Franjinhas e do Tornicotim. Cresce e aparece.
seven em 15 de dezembro de 2007 às 12h49
Ai. Uma pessoa já não pode ir sair à noite. Concordo com tudo e discordo de algumas coisas. Um nome é só um nome. Uma letra é só uma letra. A adolescência nem sempre existiu, confiram a história da vida privada. As idades existiram, mas foram vividas de outras maneiras. A Geração Y é uma invenção, é verdade. O que me preocupa é que representa o apogeu de uma adolescentização da sociedade. Que raio, temos de ter todos problemas de auto-estima?
Luis Soares em 16 de dezembro de 2007 às 03h53
O que me preocupa mais, Luís, não são os adolescentes; é a geração dos trintões ambiciosos que se julgam os senhores do mundo e que começam a dominar uma série de lugares-chave com poder efectivo, que não sabem usar. Desculpa, também és trintão mas não é para ti...
seven em 16 de dezembro de 2007 às 12h07
certamente!
uma perfeita definição da geração à qual pertenço...
Louis Alien em 17 de dezembro de 2007 às 14h27
É caso para se começar a preocupar, meu caro Alien...
Obrigado pelo seu comentário.
seven em 17 de dezembro de 2007 às 23h11
Concordo com o seven, tudo não passa de um mito. É claro que existe um grupo de pessoas que só se preocupam com a aparência, mas existe outro que tem outros interesses. O viver a vida sem qualquer preocupação por parte dos jovens é que dá para pensar. Acho que uma parte dos adolescentes está num mundo a parte.
helenac em 19 de dezembro de 2007 às 17h33
Apenas comentando..
sim, existe a tal geração "Y". Ela é real. E tal como foi descrita. Mas claro que também existem as outras gerações, os adolescentes e trintões. Afinal, que graça teria o mundo se fossemos todos da mesma geração??
E mais, somente fazendo uma análise,como uma publicitária que sou caro, seven, quando você fala que o marketing cria necessidade, isso é um erro. As necessidades não são criadas, elas sempre existiram. O que o marketing cria são os desejos, que para muitos de nós mortais, saciarão as nossas necessidades.
Abs
Ticiana em 25 de dezembro de 2007 às 21h19
Sim, Ticiana, criam desejos que o comum dos mortais não sabe distinguir das necessidades. Para que diabo preciso eu de trocar de automóvel? Este que tenho serve perfeitamente...
seven em 25 de dezembro de 2007 às 23h20
daniel em 10 de janeiro de 2008 às 02h05
Para que fiquem a saber, a nova geracao nao e a geracao A como foi referido, mas sim a geracao E. todos os que nasceram entre 1990 e 2005! este padrao tem a ver com o desenvovlvimento das novas tecnologias e com a possibilidade de interaccao que proprociona aos seus utilizadores.
zixsix em 14 de janeiro de 2008 às 02h40
ótimo! mas ainda somos uma geração perdida...
Rodrigo em 14 de janeiro de 2008 às 11h17
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fwboodol em 8 de junho de 2008 às 00h14
sera que esta geração consegue ler livros ... qem vai ler os livros de josé Saramago e tantos outros ...:-)
jorge em 20 de julho de 2008 às 22h24
Pois, tá bem - geração Y, ok .... dos 18 aos 27 ... e os outros? .. talvez aqui:
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