As músicas dos filmes

Publicado em cinema por seven em 22 jan 2008 12:23 PM | 17 comentários

 Musica Cinema Compositores Filmes Morricone Nino Rota Michel Legrand John Barry

Música e cinema para ter sido feitos um para o outro, desde os tempos em que víamos desfilar num ecrã as imagens a preto e branco ao som de uma pianola. Já então a música acompanhava as imagens e dava-lhe a expressão certa, fosse nos momentos de suspense, de tristeza ou numa mera cena de pancadaria. A empatia entre estas duas formas de expressão artística é tão forte as nossas memórias de um filme são frequentemente a lembrança da sua banda sonora ou, pelo menos, de um dos seus temas. Os grandes realizadores perceberam cedo essa importância e contrataram para os seus filmes os melhores compositores. Alguns destes especializaram-se mesmo em música para o cinema.

A associação entre o realizador Sergio Leone e o compositor Ennio Morricone, por exemplo, foi das mais frutuosas (ver artigos aqui e aqui). Contam os actores que participaram em Once upon a time in America que a música, previamente composta com base no argumento, soava em fundo durante a filmagem e que isso os ajudava imenso na sua representação - uma experiência indescritível! Aliás Morricone era exímio em sugerir ambientes através de fraseados e arranjos musicais.

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Mas Morricone não trabalhou apenas com Leone (veja-se a magnífica banda sonora de Nuovo Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore) nem foi o único a conseguir essa empatia. O nome de John Barry talvez seja menos conhecido mas logo fica perfeitamente identificado se soubermos que foi o autor do famoso tema de James Bond, bem como de muitas bandas sonoras para os filmes do carismático agente secreto de Sua Majestade. E Barry compôs igualmente dezenas de bandas sonoras inesquecíveis como a de Out of Africa, Dances with Wolves, Cotton Club e, sobretudo, o belíssimo tema de Midnight Cowboy, que a harmónica de Toots Thielemans imortalizou.

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Centenas de composições para filmes, séries televisivas e teatro constituem o currículo impressionante de Michel Legrand. As composições do músico franco-americano estão muito próximas do Jazz, fruto da colaboração que manteve com figuras do meio, como Miles Davis, John Coltrane, Bill Evans, Phill Woods ou Stephane Grappelli. Alguns dos seus temas tornaram-se inclusivamente standards. Legrand demonstrou um especial talento para inovar e abrir novos caminhos. São da sua autoria diversos temas para filmes de realizadores da Nouvelle Vague como Claude Lelouch, Jean-Luc Godard ou Jacques Demy. Foi para este último que compôs Les Parapluies de Cherbourg, que o catapultou para o sucesso. Recordemos também os cristalinos The Summer Knows (do filme Summer of '42 e You Must Believe in Spring.

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Outro nome grande é o de Nino Rota. As suas músicas deram literalmente vida, entre outros, aos filmes de Fellini, Visconti e Francis Coppola, nomeadamente na trilogia O Padrinho, porventura a mais conhecida. Dele dizia Fellini que não precisava das imagens para nada, pois na sua mente as histórias surgiam directamente sob a forma musical. É talvez esta qualidade imaterial e abstracta que raros possuem que faz a empatia entre a música e o cinema.

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Ficam os excertos de alguns temas. Reconhecem-nos?





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17 comentários

Cara, brilhante o texto! A música é uma magia, junto com o cinema formam uma dupla perfeita. Quantas vezes nos pegamos viajando pelas letras cantados por grandes, quantas vezes nossa história se confunde com aquilo que ouvimos. Na verdade a música as vezes se comporta como uma válvula de escape do nosso dia-a-dia. Já o cinema, é algo que tem muito mais emoção do que diversão, muitos filmes contam nossa história, mas nada seria sem os grandes que perceberam a melhor forma de fazer isso...ora, nada melhor do que a junção de uma trilha sonora que te faz lembrar da sua história de amor, com imagens que retratam o que vc viveu. Bom, existem coisas que não podemos explicar, apenas apreciar, e uma delas é a magia do cinema!

Obrigado por trazer lembranças..abraço amigo!

Anderson Borges em 22 de janeiro de 2008 às 15h09

Nenhuma das 4 é a minha preferida, mas palpita-me que a primeira é do filme "The good, the bad.".

Ganhei, ganhei?

Dina em 22 de janeiro de 2008 às 16h42

:S
Bolas esqueci-me do piroso...

Corrigindo: 1.ª "The good, the bad, the ugly."

Dina em 22 de janeiro de 2008 às 16h48

Pura magia, Anderson. Ainda bem que gostou.
Um abraço para você e volte sempre que quiser

seven em 22 de janeiro de 2008 às 20h13

Ah Dina... então nem ao menos conheces a última?

seven em 22 de janeiro de 2008 às 20h16

O Paul Thomas Anderson diz que o argumento do filme Magnolia surgiu de algumas músicas da Aimee Mann, que ele depois usou como banda sonora (nomeadamente, a célebre deixa e verso de uma das canções "Now that I met you would you object to never seing each other again?")

tajana em 22 de janeiro de 2008 às 21h27

Vou meter o pé na argola, mas pronto...a última é do "Padrinho", não é?
:S

Dina em 22 de janeiro de 2008 às 22h41

A banda sonora que me está a prender é a do Black Hawk Down do Hans Zimmer....que eu considero um compositor fantástico.
...mas numa onda diferente.....
Fiquem bem.

Chapas em 23 de janeiro de 2008 às 09h15

Tajana: a relação música/cinema é quase como a relação ovo/galinha (ou galinhola) :)

seven em 23 de janeiro de 2008 às 12h37

Dina, os teus 30000000000000000000000000000000000000 de neurónios não apenas te proporcionam excelentes capacidades lógico-dedutivas com também uma perspicácia fora de série. BRAVO!

seven em 23 de janeiro de 2008 às 12h41

Há músicas que andam dentro da nossa cabeça muito tempo e custam a sair, Chapas. É frequente acontecer-me isso e, curiosamente, com bandas sonoras. Volta e meia ando com a do "Paris, Texas" na cabeça não sei porquê (paranóia...)

seven em 23 de janeiro de 2008 às 12h47

Ena, ena! O reconhecimento tarda mas não falha! :S
Esti9ve melhor na parte da argola, foi?
:D

Dina em 23 de janeiro de 2008 às 16h36

Sempre foi aquela onde te deste melhor... :P

seven em 23 de janeiro de 2008 às 22h36

Mais um bom tema; mais um bom lote de comentários! Uma banda sonora de um filme é divinal quando o som empatiza em absoluto com a imagem. Se tal não acontecer, se o som só lá estiver para disfarçar trapalhadas, oh pá, por melhor que sejam a harmonia, o ritmo e a melodia, a banda sonora é uma trampa!... Aliás, deixa de ser banda sonora, liberta-se e assume independentemente o estatuto de composição genial(se for o caso).

Gil em 25 de janeiro de 2008 às 02h35

Absolutamente. E não é por acaso que os bons filmes têm sempre uma banda sonora à altura, como também não era por acaso que Leone contratava Morricone, Fellini contratava Rota e, mais recentemente Spielberg contrata John Williams...

seven em 25 de janeiro de 2008 às 13h03

Embora haja muitos bons filmes que nem sequer têm banda sonora.

tajana em 25 de janeiro de 2008 às 13h07

Aposto que John "4min 33s" Cage subscreveria essa tua afirmação, Tajana ;)

seven em 25 de janeiro de 2008 às 13h10

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